Contundo e infelizmente, nem sempre o potencial agrícola é devidamente priorizado e explorado.
As referidas desatenção e inoperância devem-se, também, ao fosso social entre os executivos camarários dos nossos concelhos e o seu eleitorado, com exceção para os casos de Vila Real e Chaves que – em virtude da densidade populacional e da mescla de setores – adotam uma tipologia mais urbana quando comparados com os remanescentes.
É muito raro – até no nosso território que possui particular preponderância agrícola – constatar a existência de um eleito que tenha tido a experiência, mais não seja por uma única ocasião, daquilo que é exercer o esforço físico de trabalhar a terra de sol a sol, absorvido do calor abrasador, dos suores e das poeiras.
Aliado ao supra mencionado, mostra-se igualmente pertinente evidenciar a vertente psicológica do agricultor que – perante o esforço afincado e por intermédio de infortunidades naturais ou humanas – se depara com cenários poucos prósperos, consubstanciados na perda de percentagem significativa da produção ou não valorização da mesma.
Esta ausência de contacto material e proximidade afetiva ao setor primário impede o decisor político de atuar com a devida sensibilidade e compreensão na resolução das problemáticas que assolam o quotidiano dos concidadãos.
Os autarcas regionais que detenham conhecimento agrícola possuem – a princípio – uma visão mais concreta das realidades e desafios enfrentados pelos agricultores. Sendo entendidos das especificidades de cada cultura, das práticas mais adequadas às diferentes regiões e das necessidades dos produtos, manifestam superior capacidade para a implementação de políticas e projetos que tenham como finalidade tornar as carências do setor diminutas ou, se possível, extingui-las.
Para o efeito, nota-se de superlativa importância facilitar o acesso a financiamentos especialmente direcionados para a atividade agrícola local, fomentar parcerias com instituições dotadas de técnicos capacitados para formar e atualizar os conhecimentos dos agricultores, conceder apoio logístico e promover os bens localmente produzidos.
Este marketing local – na maioria das vezes portador do selo de garantia e qualidade biológica hoje em dia tão procurado – incentiva ao consumo dos produtos regionais e reflete direto impacto no escoar e no valorizar dos produtos agrícolas.
O incremento do setor, por se encontrar direcionado a grande parte da população regional, é bastante para despoletar o crescimento e fortalecimento da economia local, estendendo-se às mais amplas ramificações.
É curto o hiato até à ocorrência de eleições autárquicas. Acreditando que ao presente dia a grande generalidade dos candidatos já se apresenta selecionada, cumpre-nos durante as campanhas eleitorais que se avizinham ir oferecendo uma enxada a cada um.



