Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022
Ernesto Areias
Advogado. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

Vacinas: entre a distribuição a cartelização?

-PUB-

Ora, se as empresas produtoras investiram menos do que seria expectável, o preço final do produto deverá ser mais baixo, sem deixar de ter em conta a necessidade de acudir aos países com maiores debilidades; não condenamos o lucro justo para remuneração dos custos, investimentos e riscos associados, desde que não exceda os limites da ética e do bom senso.

Se as multinacionais do medicamento persistirem na ganância com vista a maximizar o lucro, indiferentes às dificuldades, à vida, segurança e saúde das populações, os danos colaterais para a sociedade e economia acabarão por ser mais elevados do que o desejável.

Estas megas empresas, que estenderam os tentáculos por todo o mundo, dão-se ao luxo de fragilizar os governos e de enviesar o desenvolvimento dos países sem respeito pela sua  soberania, tudo em nome do lucro.

Parece-me ocorrer, debaixo do nosso nariz, a cartelização entre as primeiras empresas que entraram no mercado das vacinas, desviando-as para onde consigam vendê-las por preços mais elevados. Por isso, têm atrasado o fornecimento de modo a agravarem o estado de necessidade instalado; a perda de vidas humanas e as sequelas não são fatores de ponderação para empresas de base acionista, absolutamente predadoras.

Creio que a UE, que tão bem esteve na negociação da vacina e no financiamento das economias dos países membros, deverá vigiar estas empresas e exigir contrapartidas equivalentes aos danos causados por incumprimento dos acordos firmados.Em casos menos graves foram aplicadas multas de milhões.

Estamos a falar de vidas humanas, de custos insuportáveis para os países e do adiamento da recuperação das economias e do emprego; falamos de dezenas de milhares de empresas de base familiar e de pequenas e médias empresas por toda a Europa que insolveram e de outras que poderão estar a caminho.

Não se compreende como uma organização supra-nacional como a UE não conseguiu ainda tributar de forma justa os abutres, os mercados usurários e os que vão flanando impunes pelos meandros da alta finança, de modo a poder ser aliviada a carga fiscal do trabalho.

A iniciativa de tributação não pode ser obra de um só Estado, mas creio que está ao alcance dos vinte e seis Estados da UE no seu conjunto.

Não restam dúvidas que a cartelização evidente entre as grandes empresas só será combatida de forma efetiva pela via da concorrência.

São estes abutres, quem financia os seus protetores, que espalham gente estipendiada pela comunicação social para defesa dos seus interesses e que financiam campanhas  que levam à eleição dos seus criados de servir. A coberto da solidariedade mostram-se bons e generosos aparecendo como e quando lhes apetece para divulgarem as suas campanhas.

Chegou o momento de serem os Estados a promover o bom e regular funcionamento da economia, de modo a que o pão chegue a todas as casas; estranha-se o silêncio dos que têm soluções para tudo.

Mais Lidas

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.