António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

50 anos pela democracia em Portugal

1973. Viviam-se, ainda, os horrores de uma guerra sem sentido; temia-se falar em democracia, em liberdade, em direitos dos trabalhadores.

Esbirros da polícia política podiam denunciar críticas ao regime vigente, ou atitudes que parecessem um pouco mais ousadas. Imperava o medo. A censura coarctava a liberdade de escrever, de dizer ou representar. As eleições não eram mais que um pró-forma. As organizações da oposição (CDE e CEUD) tinham muita dificuldade em apresentar listas às eleições legislativas. E numa pequena cidade alemã, com o patrocínio do SPD – Partido Social-Democrata da Alemanha, um grupo de militantes da Acção Socialista Portuguesa (ASP), idos de Portugal ou de muitos locais de exílio, reunidos em Congresso, “ponderando os superiores interesses da Pátria, (…) as exigências concretas do presente e a necessidade de dinamizar os militantes para as grandes tarefas do futuro, deliberou transformar a ASP em Partido Socialista “(PS).

Um ano e cinco dias depois, os capitães de Abril viriam a dar-lhe razão. As tarefas por eles iniciadas eram enormes e exigiriam um trabalho intenso. O PS estava apto a dizer sim. Partido com origens nos idos de 1875, em Azedo Gneco, Antero de Quental e José Fontana, entre outros. Mais tarde, António Sérgio deixa marcas claras na sociedade portuguesa, com o relevo dado à melhoria das condições de vida dos trabalhadores e a implementação do cooperativismo, sempre a pugnar pela reforma das mentalidades. Mas foi o partido do “Socialismo em Liberdade”, de que Mário Soares foi primeiro Secretário-Geral, nascido em Bad Münstereifel, que se tornou absolutamente essencial para a construção da Democracia em Portugal.

Há dias, na festa de cariz popular que celebrou o seu 50º aniversário no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, houve uma tentativa de invasão daquele espaço. Pois, o PS esteve empenhado na defesa do direito de reunião de um partido – o CDS – em 1975, quando este se viu cercado, ali, naquele mesmo espaço. Como na defesa da Rádio Renascença.

Estes e outros momentos fundamentais da vida dos portugueses, no decurso deste meio século, têm marcas do P. S. É a criação do SNS, a adesão à Europa, a aposta na Educação, na Investigação Científica, na criação dos Laboratórios Colaborativos, na Modernização da Administração Pública, no Complemento Solidário para Idosos, no Rendimento Social de Inserção, nas Creches gratuitas, enfim, na construção de infraestruturas fundamentais à Coesão Territorial do país. Expressões da Democracia que se deseja.

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