Domingo, 8 de Fevereiro de 2026
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

A duas voltas

Tornou-se deveras interessante seguir na comunicação social, designadamente, nas redes, a informação e os comentários sobre a exibição, na RTP2, do documentário com o título em epígrafe sobre as eleições presidenciais de 1986.

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Efetivamente, elas tornaram-se importantes por vários motivos e o facto de ter resultado, finalmente, após um período de 60 anos, a eleição de um presidente que não tinha origem militar não foi o menos relevante. Entre junho de 1985 e março de 1986, Portugal terá vivido um período muito intenso de participação cívica e mostrou-se surpreendente nas oscilações políticas e no desfecho eleitoral das presidenciais, em janeiro. Foi o fim do governo conhecido como de Bloco Central, no dia seguinte ao da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), hoje União Europeia – 12 de junho – último ato de Mário Soares como Primeiro Ministro, foi uma pré-campanha e campanha eleitoral muito dura entre quatro candidatos, todos eles, mais ou menos, comprometidos com a construção da democracia em Portugal, convenhamos: Freitas do Amaral, Mário Soares, Salgado Zenha e Maria de Lourdes Pintassilgo. Foram necessárias duas voltas – foi a 1ª vez – e o eleito foi o que partiu com um score mais baixo nas sondagens – Mário Soares.
A atenção que o documentário a que acima se alude despertou terá a ver com o facto de as eleições que tiveram lugar no passado domingo exigirem também duas voltas.

Consideravam-se os resultados de imprevisíveis. Mas o que são as eleições em democracia se não a expressão que resulta da vontade dos cidadãos nas urnas de voto? Por mais voltas que se deem – pode ser uma, ou duas – tudo se desenvolve, deve desenvolver, em quadro democrático. Fundamental, para que a vontade dos cidadãos se possa expressar livremente e o que resultar seja efetiva expressão disso mesmo. Não se qualifique de catastrófico o facto de haver uma segunda volta. Não o é hoje, como o não foi há quarenta anos.

Seremos, pois, chamados a exercer, de novo, dia 8, o nosso poder de cidadãos de uma democracia que a maioria de nós, estou certo, pretende preservar pela lealdade à Constituição. Estaremos, com espírito humanista, empenhados em garantir que na Presidência esteja um de nós que defenda o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública através da qual todos podem aceder à Educação, os direitos de quem trabalha e as pensões dos que trabalharam uma vida, tudo isto, numa visão moderna de Portugal. Sem insultar pessoas, nem perseguir ninguém.

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