Quinta-feira, 29 de Julho de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

A dura realidade

Em quatro anos, tudo isto é pouco, muito pouco

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No prefácio de “Alice no País das Maravilhas, pode ler-se:

“Então, num silêncio imprevisto, perseguem na imaginação a criança de sonho vagueando. Num reino de maravilha sem par, com bestas e aves falando; E quase chegam a acreditar. Mas as fontes da fantasia acabam sempre por secar e o contador de histórias, cansado, tentou escapar. Assim nasceu a história do País das Maravilhas…”.

Mais um mês passou e mais um projeto 3D surgiu, ou melhor três projetos 3D, mais ou menos irrealistas, mas isso não importa. Verdadeiramente, o que importa é lançar a discussão, entreter as massas, acirrar os espíritos locais, pois daqui até à putativa execução passará muita água debaixo da Ponte Romana, apesar da pouca, suja e maltratada água que o Tâmega traz.

Existem umas eleições para ganhar, e o PS, ignorando qualquer sentido de ética democrática lá vai fazendo estes anúncios, sem vergonha ou pudor de usar e abusar da autarquia e dos seus meios para fazer campanha eleitoral.

Faz lembrar a apresentação do anteprojeto das Piscinas Municipais, anunciado em vésperas de Eleições Legislativas de 2019, e que surgiu numa apresentação para rapidamente desaparecer e nunca mais ninguém ouvir falar.

Ao longo de quatro anos, a encenação foi sempre a mesma, televisões de 50 e tal polegadas, imagens ou vídeos 3D com realidades idílicas, discursos redondos de ambição quase desmedida e notícia nas redes sociais dentro de um par de horas.
O problema de todo este espetáculo é que de tão repetitivo, já se tornou cansativo. É extenuante ver os sucessivos anúncios na televisão de 50 e tal polegadas, no sítio do município, nas redes sociais e não poder desfrutar daquilo na realidade.

E é esta palavra maldita que estraga tudo, a realidade.

Na realidade não há Pavilhão Multiusos, não há Piscinas Municipais, não há elevação a Património Mundial, não há requalificação de Estradas como a Municipal 507, não há Zonas Balneares no Rio Tâmega, não há Corredor Pedonal junto ao Rivelas (está a ser substituído por um mamarracho a nível arquitetónico e ambiental que dará mais uma machadada no nosso centro histórico), não há Centro de Ciência Viva, não há requalificação do Cineteatro, não há reposição de jardins e espaços verdes, não há a ligação da A24 ao Hospital de Chaves.

O que há de diferente em Chaves nos últimos quatro anos? Além do que o executivo anterior deixou pronto a ser executado, existe o posto do Turismo e a Aquavalor, ambos projetos da CIMAT, que devemos agradecer à CIMAT e a cada um dos cinco outros presidentes do Alto Tâmega, pela visão de se libertarem do seu território para promover a região, algo que dificilmente aconteceria se tivessem o culto do líder que o líder da autarquia de Chaves tem.

Em quatro anos, tudo isto é pouco, muito pouco.

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