Dias antes, iniciara a leitura de “A Era do Nós – Propostas para uma Democracia do Bem Comum” onde encontrei uma interessante reflexão sobre a evolução da espécie humana, questionando o facto de o “Homo sapiens”, apesar de ter uma massa encefálica menor que a do “Homo neanderthalensis” ter sido o que sobreviveu e pode, agora, contar a história! É deveras importante que se possa continuar a estudar esta evolução e aprofundar o conhecimento sobre os nossos antepassados, assim como sobre os nossos “primos”. O objeto da investigação da Doutora Vera Aldeias “foca-se no período de transição de Neandertais para os Sapiens – um momento fulcral na nossa evolução e que pode ajudar-nos a explicar porque é que a nossa espécie é hoje a única a habitar o planeta”.
O autor de “A Era do Nós” analisa vários pontos de vista, desde logo, o “darwinismo” e realça que “o verdadeiro superpoder da espécie humana decorre da nossa capacidade de nos relacionarmos com os outros, de fazer amigos, de sermos capazes de aprender a viver em sociedade” e cita o cientista Brian Hare que considera que a evolução da Humanidade se resume à «Sobrevivência dos mais amigáveis”, título de uma das suas obras. O homem é um ser gregário. Como teorizou Aristóteles, ”é um ser político por natureza”, vive na cidade e em comunidade. Essa realidade envolve-o e responsabiliza-o na resolução dos problemas de todos, da sua “polis”. A vida em grupo, em comunidade, é fundamental para a sobrevivência.
As três últimas décadas do século passado distinguiram-se pela valorização da componente individual do ser humano. Os mais capazes, os mais competentes, os que se distinguiam teriam o direito a sobrevalorizar-se relativamente aos outros. São anos em que o “eu” se sobrepõe ao “nós”. É o tempo da ganância, dos yuppies, da reivindicação da liberdade individual, da independência e em que proliferaram as teorias e práticas do liberalismo económico.
Em Portugal, estamos num momento em que a consciência desta realidade assume clara relevância. Somos convidados a participar nas decisões que dizem respeito a todos, quer enquanto indivíduo, quer enquanto comunidade. Daí que o “eu” faça bem em pensar no “nós”, contribuindo, assim, para o bem comum.





