Sábado, 6 de Junho de 2026
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Adriano Moreira

Aquando da passagem dos 100 anos de vida, recordamo-lo nesta nossa página semanal

Porém, a sua dimensão de nosso professor, mestre e personalidade nacional, justifica que o lembremos nesta ocasião da sua perda física, e porque a nossa muita admiração no-lo aconselha.

Conhecemos este Professor no primeiro ano da Universidade, em 1978, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina (ISCSPU), onde era diretor e Mestre, nas disciplinas de Princípios Gerais do Direito, no 1º ano e Ciências Políticas, no 4º ano, – a caminho do Mestrado, alguns anos depois.

Do Mestre em Ciências Políticas podemos aperceber-nos do seu envolvimento na vida política nacional, uma vez que tinha sido, dois anos antes, Ministro do Ultramar, num breve período de pouco mais de dois anos. Bem conhecida a sua relação com o Chefe do Governo, – Salazar – e a antipatia que existia entre o seu Delfim, Marcelo Caetano, e o nosso Professor. De tal forma, que não obstante o bom trabalho que teve como Ministro, entre 1962 e 1963, não escapou aos adversários da política da descolonização que tentou antecipar. Recordamos bem, que na sua chamada ao Governo, seis meses após o primeiro incidente em Angola, com a entrada dos Movimentos de Liberação (MPLA, FNLA e UNITA), tendo Adriano Moreira visitado esta, então Província, onde foi recebido durante uma semana, com manifestações de apoio de todos aqueles que discordavam da guerra para chegar à independência.

Adriano Moreira tinha um projeto para Angola, Moçambique e restantes colónias, que passava pela autonomia do Governo desses territórios, com ligação ao mundo português, através da língua e cultura. Esta política acabaria por não ter seguimento porque os movimentos comunistas de cariz soviético, pretendiam o lugar que Portugal ocupava há cerca de 500 anos. Mais tarde, o MFA também não o entendeu, tendo vencido em 11 de março de 1975 o pensamento comunista de abandono completo das populações portuguesas que viviam naqueles territórios.

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Foi neste breve período que se fez a maior revolução na política ultramarina: mandou abolir o Estatuto do Indigenato, por forma a que todas as pessoas, independentemente da sua cor, fossem “Cidadãos Nacionais” com todos os seus direitos e deveres.

Adriano Moreira, com a reconhecida dimensão intelectual, depois de uma breve passagem pelo CDS, manteve o seu percurso de vida política, deixando um legado como pedagogo e uma obra notável até no período da Ditadura.

Pessoalmente, recordá-lo-emos, como o professor de Ciência Política que mais marcou a nossa formação académica. Obrigado, Professor.

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