Sábado, 18 de Setembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Cansaço

Vivemos há sensivelmente ano e meio, subjugados pela informação relativa à pandemia da Covid.

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É percetível, que os «opion makers», não têm certezas (de ciência certa), sobre o que ainda nos espera. E esta incerteza, que nos é transmitida diariamente, gera angústia em muitos de nós.

Os cientistas comportamentais que informam o Governo, defendem que não é ainda a altura para mudar totalmente a mentalidade. Não podemos ficar atolados na inércia – frisava há dias Margarida Gaspar de Matos, psicóloga e coordenadora da «Task Force» da Comunicação. Temos de nos ajustar e ir mudando o “chip” com toda a prudência, passo a passo, usando na nossa proteção a de todos os instrumentos que temos.

Nós preguntamo-nos: que instrumentos é que temos ao nosso alcance?

Façamos uma breve retrospetiva. Alguns meses, após o início da pandemia (março/abril de 2020) todos recordam o “massacre” que nos era fornecido pela Direção Geral de Saúde – naquelas Conferências de Imprensa diárias, de duas ou mais horas, sob a responsabilidade da respetiva Diretora Geral ou mesmo pelo Secretário de Estado da Saúde.

Tudo espremido, não era nada: Número de infetados, internados, em cuidados intensivos e falecimentos. Em que é que nos tranquilizava? Em nada! Pelo contrário. A comunicação social, ávida de notícias, suportou estoicamente o “massacre”, porque, reconheça-se, tem um papel a desempenhar e perante a falta de outro tipo de informação, socorria-se dos números que ia recebendo da DGS.

Pessoalmente, já não conseguimos recordar, quando aquelas conferências acabaram. Foram substituídas, por informações mais «light» que a ministra da presidência, Mariana Vieira da Silva, nos vai dando, a nosso ver com uma fórmula menos pesada e verdadeiramente mais eficaz. É certo que, a Imprensa em geral e a TV em particular, apimenta sempre esta intervenção ministerial, com a ajuda de peritos dos Serviços de Saúde, Médicos, Epidemiologistas, Virologistas, Intensivistas e tantos outros especialistas da área da saúde, cuja existência, a maior parte de nós, desconhecia.

Percebe-se que os Órgãos da Comunicação Social têm necessidade de alimentar os seus noticiários e preencher os espaços de informação, porque é disso que eles vivem. Mas, reconheça-se o cansaço de muitos de nós, com os números, as opiniões, as previsões e os conselhos.

O que pediríamos à Comunicação Social é que moderem as doses de informação e privilegiem antes, o entretenimento, que nos aliviem o cansaço.

Pode ser mais difícil, mas será seguramente muito mais apelativo e gratificante, para a saúde de cada um de nós.

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