Sexta-feira, 1 de Julho de 2022
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Aposentado da UTAD. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Consequências da pandemia

Estamos, assim todos esperamos, na reta final da pandemia que nos apoquenta há quase dois anos.

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Novos e idosos todos foram afetados. Hoje vou falar dos idosos que foram, no dizer do Professor Pinto da Costa, os que mais sofreram.

Quando numa família os pais e/ou os avós chegam à idade da velhice colocam-se-lhe problemas sobre o que fazer com eles. A solução mais simples e mais fácil é interná-los num Lar de Idosos. Tudo se resolve colocando nas mãos de outros o seu destino. Será que esta será a melhor solução? A minha experiência diz-me que não. Os lares desempenham um papel muito importante no atendimento aos idosos. Sabemos que muitas famílias não têm condições para os terem consigo e mesmo achando que essa não é a melhor solução, encaminham-nos para lá. Em alternativa as famílias mantêm-nos em sua casa ou na casa de outros familiares. Estas são, na minha opinião, as melhores soluções.

Por muito bom que um lar seja, e há-os de alta qualidade, nunca será a casa do idoso, até pelas regras de funcionamento do próprio lar e por nele haver pessoas de outras famílias.
Hoje o Serviço de Apoio Domiciliário desempenha um papel muito importante no apoio aos idosos, através do apoio às suas famílias. A minha experiência confirma-o, sem qualquer dúvida. A minha mãe faleceu com 94 anos e esteve sempre no seio familiar. A minha sogra viveu em sua casa com familiares também até aos 91 anos e o meu sogro até aos 98. Como se pode fazer isto? A resposta é muito simples: recorrendo ao apoio de uma IPSS-Instituições Particulares de Solidariedade Social. Para conseguirmos ter os nossos idosos em casa, tivemos o apoio da Associação de Desenvolvimento Social e Cultural de Remondes, Mogadouro que presta apoio domiciliário às famílias que o necessitem. Assim foi possível mantê-los no seio familiar. Nos últimos dias da sua vida, a maior preocupação da minha mãe era morrer na sua casa. E conseguimo-lo.

Em minha opinião o Estado devia pensar, muito bem, no que aconteceu com esta pandemia e estudar alternativas para que se estivermos de novo em situações idênticas, os idosos não sejam os que mais sofrem.

Como solução, devem ser canalizadas para as famílias, as verbas necessárias para que possam manter no seu seio os seus idosos e implementar medidas de controlo rigoroso para que o dinheiro chegue ao público-alvo, que são eles. Reformular os Lares dotando-os de condições ainda melhores do que as que já têm.

Há uns dias a Drª. Cláudia Moura, coordenadora do Livro “Pensar e Compreender o Envelhecimento em Emergência de Pandemia”, que contém depoimentos de vinte e quatro personalidades, entre elas o Professor José Pinto da Costa, fez três afirmações que resumem o que eu considero que deve ser feito: 1) os cuidados de atenção aos idosos têm que ser humanizados 2) temos que cuidar dos idosos com dignidade 3) trabalhar com idosos exige ter um perfil adequado, muito esforço físico e muita força moral.
Tratemos os nossos idosos com carinho e amor até ao último dos seus dias.

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