Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Desafio comunitário

A escolha que os cidadãos vão fazer no próximo domingo, quando forem exercer o seu direito de voto, suscita-nos algumas reflexões.

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A primeira é para que se perceba o que é por definição um autarca. Embora o tenha sido há muito anos, apercebemo-nos bem, de qual o seu papel na comunidade. Sendo agentes políticos, os autarcas, pela sua proximidade dentro das comunidades a que estão vinculados, têm uma missão de serviço permanente e diária, que faz deles servidores públicos, a quem se exige, como a nenhum outro, uma dedicação total.

Com a nossa experiência, num município, apercebemo-nos que dentro dos autarcas, é no escalão mais inferior de hierarquia – agente de Freguesia –, onde esta noção de serviço permanente mais se revela. É ao Presidente de Junta, a quem em permanência os cidadãos mais exigem: ou porque falta a água, ou porque um determinado caminho demora a ser pavimentado; – poderíamos dar dezenas de exemplos.

Por isso afirmámos, muitas vezes, que é à Junta de Freguesia que os munícipes mais recorrem, para lhe exigirem, por vezes, meios que eles não têm. São autênticos «bombeiros de serviço».

Uma segunda reflexão, tem a ver como nos pareceu ter decorrido esta campanha em ano de pandemia ainda não completamente debelada. Tivemos a sensação que a comunicação social, em particular, deu a este ato uma relevância inusitada. Quer a nível nacional, quer a nível local.

Nota positiva, pois nem sempre os autarcas foram considerados como figuras políticas públicas, com a devida atenção. Os debates públicos, a nível nacional, em diferentes canais televisivos, radiofónicos e nas redes sociais, deixam uma nota de interesse nunca antes verificada. E isso conduzirá, eventualmente, a uma maior participação, aumentando a vontade de ira as urnas.

Uma terceira nota, é para assinalar o debate público da campanha, por ter sido inquinado, pela política nacional, o mais das vezes esquecendo ou mesmo ocultando fragilidades locais. A maior parte dos candidatos, pouco preocupada em fazer propostas concretas para os seus territórios e os governantes em exercício, enfatizando sempre as vantagens dos candidatos apresentados pelas forças políticas ligadas ao poder – o que se percebe, mas que se considera ilegítimo, democraticamente.

As autarquias locais surgiram agora, como estrelas no universo político. Oxalá isso sirva para o país político acordar, que o desenvolvimento do país, no concreto, passará muito por descentralizar competências para este nível do poder. Os cidadãos eleitores apreciarão, com certeza, que isso venha a acontecer.

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