Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Em eleições democráticas não há favas contadas

Apesar de quase todos – partidos políticos e grupos de cidadãos - se considerarem vitoriosos na noite do dia 26 de setembro, é um facto que muitas de expectativas ficaram defraudadas.

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Por cá, nas autárquicas, tal como na Alemanha, na corrida que se seguiu ao anúncio de Ângela Merkel abandonar as funções de Chanceler, que já desempenhava há 16 anos.

Foi interessante seguir o processo eleitoral naquele país. O Partido Os Verdes surgiu nas sondagens, inicialmente, como possível opção dos alemães para liderar o governo. Mais tarde, foi a coligação CDU/CSU que parecia poder continuar os mandatos de Merkel. Mais recentemente, o SPD, liderado por Olaf Scholz, começou a surgir como putativo vencedor. E assim foi. Obteve o maior nº de mandatos no Bundestag, com 25,7%, enquanto a CDU/CSU se quedou por 24,1%. Como se vê, nada é cientificamente previsível. Será benéfico para a Alemanha e para a União Europeia que se forme um governo estável com brevidade.

Por cá, também o PS venceu as eleições, com maioria das Câmaras e das Freguesias. Mas o ditado popular também se cumpriu. Pelos vistos, em Lisboa, muitos eleitores deixaram-se embalar pelas sondagens e preferiram o passeio ao voto. As sondagens apontavam noutro sentido, que não o que se verificou. Pessoalmente, reconheço que elas exprimem só o sentir do eleitorado no momento em que são feitas. Ora, a autarquia de Lisboa enfrentou como poucas os problemas decorrentes da pandemia. Fernando Medina foi um dos autarcas que avançou com medidas para a combater eficazmente. Tanto no apoio às famílias, como nos negócios mais afetados ou na disponibilização de testes gratuitos. Muito dos habituais eleitores ter-se-ão convencido que tudo estava resolvido. E não estava. Aliás, como noutros concelhos. No Porto, em que o Presidente deixou de ter a maioria absoluta. Em Sabrosa, onde foi publicada uma sondagem na semana que precede o ato eleitoral, atribuindo a vitória ao PSD. Afinal, ficou em 3º lugar, atrás de uma lista de cidadãos e da candidatura do PS, que apresentou Helena Lapa, a 1ª mulher eleita Presidente de Câmara no distrito de Vila Real.

Quando dirigentes partidários, ou responsáveis pelas campanhas eleitorais consideram que o trabalho da campanha só termina quando são proclamados os resultados, têm motivos para isso. Porque também aqui o adágio tem todo o sentido – em eleições democráticas não há favas contadas. Quem decide é o povo. Os que votam, claro.

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