Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022
Manuel R. Cordeiro
Professor Aposentado da UTAD. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Fernão de Magalhães Viagem de circum-navegação (2)

A investigação fez sempre parte do meu dia a dia como professor universitário.

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Hoje continuo a ter essa paixão. Agora não sobre temas científicos, mas sobre temas de cultura e história em geral. Fernão de Magalhães e a viagem de circum-navegação é uma das minhas paixões atuais, que fez com que fosse a Sanlucar de Barrameda, sul de Espanha, “sentir” o que provavelmente sentiu ele e todos os que o acompanharam. Ali vê-se que ele era um homem com enorme valor e importância, devidamente reconhecidos. A cidade respira Fernão de Magalhães por todo lado. Como ajuda, tive a sorte de ter comigo um livro das Atas do II Colóquio Luso-Espanhol de História Ultramarina, que teve lugar em Lisboa, em 1975, e que teve como título “A viagem de Fernão de Magalhães e a questão das Molucas”, organizado pela Junta de Investigações Científicas do Ultramar com a participação de cerca de 25 investigadores portugueses e espanhóis. Possuo também a edição em francês, digitalizada, do livro escrito por Pigafeta, italiano de uma família rica de Vicenza e que foi incorporado na viagem, tendo feito um diário pessoal que se converteu em livro com o título de “A primeira viagem à volta do Mundo”. Se não fosse ele, pouco saberíamos sobre essa viagem.

Dado o papel que lhe foi atribuído, seguiu viagem na nau Trinidad capitaneada por Fernão de Magalhães. Foi incorporado com o nome de António Lombardo ou António de Lombardia.
Tinha uma grande admiração e consideração por Fernão de Magalhães a quem tratava por “O nosso Comandante”.

Segundo o que ele diz, no dia 25 de Março de 1521, segunda-feira da Páscoa, correu um enorme perigo já que, quando estavam a levantar as velas, caiu ao mar. Gritou e alguém na nau o ouviu e o livraram de uma morte anunciada. Deus deve ter tido em conta o quão importante ele era para o desenvolvimento que o Mundo teve, pois foi com o seu diário que hoje sabemos tudo sobre esta viagem.

No seu relato Pigafeta faz uma caracterização das pessoas com quem iam tendo contacto. Por várias vezes diz que andavam sem roupas e com vários adornos. Num desses contactos, algures na costa brasileira, diz que havia entre os homens alguns de estatura descomunal. Talvez com algum exagero, refere que eram tão altos que ele e os restantes tripulantes quando estavam de pé, junto a eles, só lhes chegavam à cintura. Num desses momentos entregaram-lhes prendas que levavam, sendo que as que eles mais gostavam eram espelhos. Um desses homens grandes quando se viu ao espelho começou a andar para trás, tendo derrubado vários espanhóis.

Nota: no texto anterior referente a Paiva Couceiro saíram duas imprecisões: onde se lê 2007-2009, deve ler-se 1907-1909 e onde se lê 2011 deve ler-se 1911.

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