Domingo, 19 de Setembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Fim de ciclo

Depois de ouvir os discursos, sobre o Estado da Nação, na sessão comemorativa do 25 de Abril, assaltou-nos esta dúvida!

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Depois de ouvir os discursos, sobre o Estado da Nação, na sessão comemorativa do 25 de Abril, assaltou-nos esta dúvida! A mensagem do Presidente da República foi pela positiva, ainda que a partir de feridas abertas na sociedade portuguesa: a ditadura, a guerra, a descolonização, o retorno dos portugueses e a descendência luso-africana. O Presidente mostrou o seu orgulho em toda a história do país, nos seus lados bons e maus, nas suas glórias e nas suas misérias.

Mas, os representantes das diversas forças políticas não podiam ser mais críticos sobre o Estado da Nação, responsabilizando a ação governativa que tem estado, nos últimos seis anos, à responsabilidade dos socialistas, com o apoio, direto ou indireto de uma certa esquerda mais interativa em questões fraturantes.

É bem verdade, que a pandemia causou mossa grave, não apenas do ponto de vista sanitário, mas em toda a economia. Em países como o nosso, em que a atividade turística representa, em determinadas regiões – como o Algarve – a quase totalidade da atividade económica. O encerramento prolongado dos estabelecimentos causou danos dificilmente reparáveis a curto prazo. O país tem graves debilidades financeiras públicas, por maior que seja a vontade do Governo, não consegue, sem castigar a fome, – passe a expressão –, porque a retoma plena da vida empresarial levará muitos anos a atingir os níveis anteriores a 2019.

A debilidade das finanças públicas portuguesas é proverbial e tem piorado, como mostram as estatísticas. Portugal está praticamente na cauda dos 27 estados-membros. Foi ultrapassado pelos países de leste. Em situação pior, só a Grécia, que vive, tal como Portugal, muito dependente da atividade turística.
Por isso, as críticas contundentes que se ouviram, responsabilizando o atual Governo, acabam por não ser completamente justas. O que se deve exigir é que, na aplicação dos dinheiros que a União Europeia nos vai atribuir no chamado Plano de Recuperação e de Resiliência – PRR, se aproveite a ocasião para colocar a economia a funcionar, gerando riqueza.

E, neste particular, é necessário apostar mais na iniciativa privada, que cria empregos que se autossustentam com a produção de bens transacionáveis. O PRR tem de ser a alavanca para desencravar o nosso crescimento económico. Conhecer as grandes linhas de aplicação desses valores é o que está ainda no segredo dos Deuses. Titulámos “Fim de Ciclo”, na esperança do momento e na perceção da oportunidade, de que se inverta e se dinamize o processo de crescimento da economia do país, adaptando para isso as medidas e iniciativas que o possibilitem

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