Quarta-feira, 6 de Julho de 2022
Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Grémio Literário fiel aos seus compromissos fundacionais

Em 2006 foi inaugurado o Grémio Literário de Vila Real que, no seu estatuto editorial, exarava um compromisso que nos 16 anos percorridos cumpriu escrupulosamente

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Relendo esse propósito fica-se com essa certeza: “pretende-se que esta estrutura, instalada no edifício da Biblioteca Municipal de Vila Real, sirva de base a estudos de investigação e apoie os escritores da região, nomeadamente na publicação de livros inéditos, com qualidade, de jovens autores. O Grémio deverá dispor de uma biblioteca de autores transmontanos e durienses e de um Museu-Arquivo de literatura desta região”.

A entidade que aprovou esse projeto foi a câmara que teve o bom senso de designar para a direção desse equipamento urbano o ícone da paternidade: Pires Cabral. Tão discreta valência cultural resolveu, pacificamente, o ritmo do departamento, quiçá, mais sensível às autarquias do país. Quem experimentou as consequências de uma eleição, dita democrática, e seja, suficientemente ingénuo, tem pela frente, uma de duas alternativas: ou segue o carreirismo partidário e espreita as sondagens, em cada decisão que toma, ou atua, em conformidade com o bom senso e corre o risco de não tentar uma segunda eleição.

A câmara deu um claríssimo exemplo de honestidade, de coerência e de isenção, quando deliberou construir o Grémio Literário, aceitando privilegiar uma metodologia desigual daquela que reinou nos últimos 48 anos. Uma estrutura pragmática, séria, igualitária, progressista, anti-sectária. Essas virtudes chocam com aquilo que se passa, na generalidade das autarquias, de norte a sul do país. Todos prometem mundos e fundos, neste e naquele departamento. Chegados ao poder todos se esquecem daquilo que prometem. E, salvo raras exceções, fazem pior do que os anteriores.

A Câmara, mormente na área da Cultura, cortou-se o mal pela raiz. Ignoro o que se passa nos restantes departamentos. No pelouro cultural, desde 2006, há uma espécie de orçamento gerido pelo responsável que elabora um programa, obviamente aprovado pelo executivo municipal. E tudo o mais funciona democraticamente, sem substituir quadros humanos, sem cunhas, sem marcação de audiências, e sem os políticos a presidir, politicamente, nas diversas atividades.

São exemplos as atividades anuais que se vão revelando, ano após ano, as edições temáticas, como a Tellus, cadernos culturais, monografias de autores que vão partindo. A Tellus é um exemplo vivo, com tiragens discretas, sempre em cima do calendário e com distribuição gratuita. E com uma disciplina cultural que deveria ser praticada nacionalmente. Parabéns à Câmara e ao Grémio Literário.

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