Sábado, 3 de Dezembro de 2022
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Lutar pela paz, uma constante

"A Europa connosco”! Recordo bem este slogan. Mário Soares procurava assim mobilizar a opinião pública portuguesa para a participação nas primeiras eleições legislativas livres após o 25 de Abril de 1974.

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Uma Europa de paz e de progresso económico e social. Assim se mostrava a Comunidade Económica Europeia. E no espectro político nacional, a maioria dos portugueses passaram a rever-se nesse desígnio. Talvez por isso, muitos dessa geração acompanhem neste momento, preocupados, a invasão da Rússia à Ucrânia. A Europa em guerra. A mostrar, hoje, que é muito difícil viver em paz.

Esta guerra torna bem visível quão difícil é evitar conflitos quando se está perante governos autocratas, de um poder unipessoal, praticamente o único detentor de poder no seu país. E quando se ordena o alerta máximo da força de dissuasão nuclear tudo se torna mais grave.

Julgava, todos nós estávamos convencidos, que a guerra e os seus malefícios estariam longe da Humanidade neste séc. XXI. Quem nasceu pouco depois da devastadora guerra de 1939-45, viveu os anos da guerra das Coreias, viu-se envolvido na guerra das ex-colónias portuguesas, acompanhou a Guerra Civil que se seguiu ao desmembramento da Federação da Jugoslávia, teria o direito a viver em paz. A convivência pacífica, de progresso e desenvolvimento que a construção paulatina, mas consistente, que a União Europeia proporcionou a muitos dos países da Europa era um excelente prenúncio. Também por isso, a vida em paz se tornou a convicção da generalidade dos europeus. Afinal, e não se diga que tudo se passa longe, porque assim não é. Hoje, tudo acontece muito perto de nós.

Neste cenário, destaque para personalidades imbuídas de um grande sentido humanista. O Papa Francisco deixou o mundo todo a interrogar-se por que razão tomou a iniciativa de se dirigir à Embaixada da Rússia em Roma, num claro apelo à paz. Que grande testemunho. O Papa Francisco, profundamente preocupado com a guerra na Ucrânia, a deitar mão do seu papel de Chefe de Estado, que também é, para mostrar o caminho de que só a paz deve interessar a todos. E disponibilizou o Vaticano para intermediar uma solução. Também Ele a construir a paz. A outro nível, António Guterres, Secretário-Geral da ONU, na reunião do Conselho de Segurança, quebrando o protocolo, a dirigir-se à Rússia, pedindo “do fundo do coração” ao líder de um membro daquele Conselho, por sinal a presidir naquele momento, para “dar uma oportunidade à paz”.

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