Quinta-feira, 14 de Maio de 2026

Nunca mais

É incompreensível e inaceitável o que Israel, ou mais concretamente, o governo de Israel, com a concordância de uma parte da população israelita, está a fazer à população de Gaza e é vergonhosa e execrável a covardia, a conivência e a cumplicidade dos Estados Unidos da América e da Europa.

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Aliás, neste momento, a Europa está desnorteada e perdida nos seus valores e nos seus princípios. É uma Europa sem voz, sem honra e sem dignidade nenhuma que o valha, perante um extermínio e um genocídio a que está a assistir em direto, surda e insensível como uma pedra, sem ter um rasgo de profunda e clara condenação e de visceral revolta perante tamanha atrocidade que está a ser cometida. Como é possível que em pleno século XXI estejamos ainda a assistir a populações a estenderem pratos e panelas para que um qualquer naco ou sopa lhes mate a fome, e como é possível que no atual quadro jurídico internacional um povo tenha carta branca para matar outro povo à fome e se apoderar da sua terra!

Sabemos que a atual situação da Palestina é complexa e que muitas imagens que são divulgadas podem ser manipuladas e sabiamente usadas pelas partes beligerantes, mas já poucas dúvidas haverá de que Israel está a usar a fome para enfraquecer e dizimar a população de Gaza, o que jamais lhe deveria ser permitido, e que tenha a compreensão e a passividade dos povos que se dizem paladinos dos direitos humanos é de bradar aos céus. Houve agressões inaceitáveis a Israel, é verdade, mas já teve o seu tempo para fazer justiça, se é que existe esse tempo, já está há muito a ultrapassar esse tempo, tem tido rédea solta para satisfazer o seu ódio e a sua raiva, chamando a si um direito e um poder que não tem, que é o direito de poder esmagar e exterminar o seu inimigo, levando tudo na frente, na sua maioria pessoas inocentes, muitas delas crianças.

Temos o maior respeito pelo povo judeu, um povo que tem tido uma caminhada histórica mártir e atribulada, tendo passado por escravidões, cativeiros, perseguições, diásporas e extermínios ao longo da sua história. É um povo que deu grandes contributos à história da humanidade e tem tido uma resiliência histórica épica. Ainda há pouco tempo celebrámos os 80 anos do holocausto levado a cabo pelo regime nazi. Nunca mais, pediram os sobreviventes dessa horrenda solução final. Mas o nunca mais também deveria significar que jamais um povo possa ter a liberdade e o poder de oprimir, desterrar ou esmagar outro povo, de forma sistemática e bárbara.

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