Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022
Mário Lisboa
Mário Lisboa
Tenente-Coronel da Força Aérea. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O país durante a guerra da Ucrânia

Andamos nós pela nossa vida normalmente a ignorar as crises que nos rodeiam. Crise climática? Crise Social? O que é isso?

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Atravessamo-las há bastante tempo, com tantos avisos, tantas consequências visíveis e ainda mais consequências negativas por vir.

Acabamos por ignorá-las, porque, em geral, somos privilegiados. Não vemos a pobreza logo ao lado da nossa porta.

Não estamos propriamente a viver numa estufa, mas quando falamos de Covid-19, guerra ou de sismos, já percebemos que existem consequências. O mundo parou quando veio a pandemia, por algo que nós não conseguimos ver, mas vemos as nossas pessoas queridas a desaparecerem. Mais de 20 mil pessoas perderam a vida só em Portugal, mais de seis milhões em todo o mundo.

Alterou-se o quotidiano radicalmente para fazer frente a essa ameaça. Fomos capazes de mudar a forma como trabalhamos, fomos capazes de um olhar empático. Mesmo assim, ainda há pessoas que não se comovem com gestos simbólicos, como aquele senhor, a descer sozinho a avenida da liberdade no dia 25 de abril de 2020.
Mais ainda falando, julgando que a pandemia iria dar tréguas, aparece numa mobilização bélica às portas da Europa.

Parece o Universo a não querer dar-nos descanso. Mas a verdade é que não está na Ucrânia, a única guerra deste mundo. A Rússia é um nome somente e a Ucrânia é logo ali.
Enfim, na prática, em que é que esta guerra nos afetou diretamente enquanto indivíduos? Agora, o que sentimos são os preços a subir, no entretanto a onda de solidariedade gerada com os ucranianos continua esmagadora. E ainda bem.

E evidente que há outros países com dificuldades como a Índia, Paquistão, etc…
Por outro lado, imaginemos que as partículas do ar fossem muito maiores, que as conseguíssemos ver.

Com a cor do dióxido de carbono a aumentar, vemos partículas a sufocar pessoas. Aí, sim, talvez as alterações climáticas sejam algo crítico para nós.

Se a nossa casa fosse arrastada pelas águas como tem acontecido em muitos países… Na verdade, os efeitos já existem, ainda não chegaram a nós a toda a força.

Assim, são estes episódios de entreajuda e mudança que mostram que é possível nos unirmos e fazermos frente aos nossos obstáculos coletivos.

Finalmente, queremos que os ucranianos tenham dignidade, precisamos de nos unir e exigir a resolução de problemáticas que requerem ações consideráveis.
Temos que ter atenção ao problema sismológico da ilha de S. Jorge, nos Açores. Temos de nos mobilizar contra as alterações climáticas.

Contra a exclusão, juntos.

Enfim, devemos cultivar a amizade que o coração nos dita.

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