Sábado, 16 de Outubro de 2021
Ernesto Areias
Advogado. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

O Rei e o Bobo

Das elucubrações deste confinamento, veio-me à memória uma breve história do livro de francês, do meu tempo de liceu, Regardons vers le pays de France. Era uma vez… um rei, que talvez por razões relacionadas com o reinado ou alguma crise de gota, teve uma insónia, não havendo forma de adormecer. Em desespero, depois de […]

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Das elucubrações deste confinamento, veio-me à memória uma breve história do livro de francês, do meu tempo de liceu, Regardons vers le pays de France.

Era uma vez… um rei, que talvez por razões relacionadas com o reinado ou alguma crise de gota, teve uma insónia, não havendo forma de adormecer. Em desespero, depois de dar mil voltas na cama, mandou chamar o Bobo para que o divertisse com uma pequena história, um chiste ou uma pilhéria que lhe ocorresse.

O Bobo estava a dormir e não gostou que o acordassem àquela hora da noite, mas não havia como recusar o pedido do Rei.

Contou, então, pausadamente, em voz sussurrada, como se o Rei fosse um menino, que pelo inverno, numa altura em que os rios iam caudalosos, um pastor comprou numa feira um grande rebanho com mais de duzentos ovinos. Quando o levava para casa teve de atravessar de um lado para o outro do rio, que era bastante largo. 

Chamou, então o barqueiro para atravessar todos os ovinos. Mas a barca era pequena, não conseguindo transportar mais do que um de cada vez.

Entretanto, o Bobo calou-se e o Rei indagou se tinha terminado a história. Não, não terminou! Deixemos que o barqueiro atravesse todos os ovinos e depois continuamos. 

Apercebendo-se da inteligência e subtileza do Bobo, o Rei mandou-o descansar.

No decurso desta pandemia, sinto que estamos a representar esta pequena história esperando, enquanto os ovinos atravessam o rio; aguardando que uns morram, outros fiquem infetados, outros recuperados, totalmente impotentes como o pastor, que sentiu necessidade dos serviços do barqueiro para atravessar o rebanho para a outra margem.

Perguntamos: 

Onde fica a outra margem? Fica longe ou próxima, a barca consegue transportar-nos a todos ou vai naufragar algumas vezes?

Na perspetiva de Bill Gates, o homem que mais dinheiro tem doado à humanidade para a saúde, assistiremos a três revoluções na medicina no seguimento desta Pandemia. Se as suas previsões estiverem certas, na segunda metade de 2021 ocorrerá a produção massiva de vacinas contra a Covid com respostas de imunização nunca antes vistas.

Bill Gates está convencido de que serão difundidas as denominadas vacinas mRNA, que recorrem ao código genético de modo a darem instruções às células para que o corpo crie imunidade contra o vírus.

O terceiro grande avanço vai acontecer na área dos medicamentos antivirais, que têm merecido menor atenção dos investigadores do que os anti-bacterianos, servindo para combater a Covid e outras doenças conhecidas.

Enquanto esses estudos decorrem, aguardaremos, tal como o Rei, que o barqueiro atravesse os ovinos para o outro lado de rio.

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