Sábado, 4 de Fevereiro de 2023
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Os direitos humanos e o mundial de futebol

Se há fenómeno que arraste multidões e desperte a atenção generalizada, o desporto, o futebol, de modo especial, destaca-se.

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Atente-se às manifestações dos apoiantes no mundial que decorre no Qatar. Equipas da Europa, das Américas, da Ásia, da África e da Oceânia ali estão com as suas claques, mais ou menos organizadas e eficazes no apoio.

Cânticos nos estádios e ruído nas esplanadas não faltam. E com as surpresas de alguns dos primeiros jogos do torneio, mais motivos houve para a festa. Acresce que este mundial se tornou polémico logo no momento da atribuição ao país organizador. Polémica que cresceu no decurso da sua preparação, quer pelas condições climatéricas daquela zona do mundo, quer pelos problemas que surgiram e se desenvolveram na construção dos estádios – 1,7 milhões de trabalhadores, que ali se sujeitaram a condições desumanas de trabalho, como bem lembra a Amnistia Internacional. Lá longe, como alguns referiam, não dava para nos apercebermos da gravidade das situações, porque nem sempre eram motivo noticioso. As condições a que muitos trabalhadores se sujeitaram, buscando um rendimento que não conseguiam nos seus países, foram extremas.

Mais recentemente, foram outros os problemas que vieram à tona. As questões da igualdade, nos seus diversos níveis e significados, que os meios de comunicação social veicularam nas vésperas e no momento da abertura do evento marcaram a agenda. Neste nosso meio, gerou-se ruído à volta da deslocação das mais altas figuras do Estado aos primeiros jogos da seleção nacional. Porque razão deslocarem-se a um país em que a democracia está distante e que não respeita os direitos humanos?

Em 2018, o mundial de futebol disputou-se na Rússia. Percebia-se já nesse “longínquo” ano como esse país via os direitos humanos. Polémicas, então, não houve. Ou pouco se notaram. A guerra deste ano contra a Ucrânia é, vê-se logo, mais um elucidativo exemplo. Por essa e por outras se pode apelidar de hipocrisia, como afirma José Pacheco Pereira, a atitude de muitos que se pronunciam, por estes dias, sobre esta temática. Aliás, será sempre bom olharmos para o que está à nossa porta. Aqui, bem perto, ou por terras alentejanas. Quando falamos em direitos humanos, atenhamo-nos, desde logo, atenciosamente, à nossa casa. Na verdade, a liberdade e a igualdade devem estar sempre ligadas à fraternidade. Se assim não for, a democracia manter-se-á imperfeita e por completar. No Qatar, ou por aqui.

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