Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Países ricos e países pobres

A riqueza das nações, ao contrário do que muita gente pensa, não advém das matérias-primas de que dispõem nos seus territórios, mas da valorização dos seus recursos humanos, como é demostrado pelos exemplos do Japão e da Suíça.

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Se atentarmos bem nestes dois casos concretos, verificamos que em relação ao Japão, país montanhoso, com um território limitado a 80%, inadequado para a agricultura e criação de gado, importando, do mundo inteiro, a matéria-prima de que necessita para exportar produtos manufaturados, consegue, apesar destes constrangimentos, desfrutar do estatuto de 3.ª economia mundial, segundo dados do FMI.

Quanto à Suíça, tratando-se de um pequeno país europeu que não planta cacau, contudo, tem o melhor chocolate do mundo. Num diminuto território, de 41 285km2, cria animais e cultiva o solo apenas durante quatro meses do ano, no entanto, fabrica laticínios da melhor qualidade. É um pequeno país que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, predicados que lhe permitiu transformar-se no cofre-forte do mundo. Perante estas evidências pode perguntar-se: por que razão isto não se verifica no nosso país? A culpa não pode estar na falta de vontade de trabalhar dos portugueses. Sendo os nossos emigrantes a força produtiva dos países europeus ricos, não podem ser rotulados de preguiçosos no seu país de origem. Então onde estará o segredo? Está na educação e na formação escolar que os referidos países, e outros que afinam pelo mesmo diapasão, proporcionam aos seus cidadãos, incutindo-lhes conhecimentos e uma cultura de responsabilidade ao longo da vida, que os preparam para enfrentar os desafios do futuro, ao mesmo tempo que valores como a ética, a integridade, a pontualidade e o respeito pelas leis e pelos outros devem ser princípios seguidos por todos.

O exemplo dos referidos países demonstra que só assim nos podemos tornar num país economicamente mais desenvolvido e civilizado, desmistificando as ideias comummente aceites, de que a riqueza das nações assenta, fundamentalmente, nas matérias-primas existentes no seu subsolo e não nos seus recursos humanos. Se estes forem devidamente capacitados e instruídos, desde os bancos da escola em conjugação com a comunidade onde cada um vive e convive, estará encontrada a solução para o bem-estar e prosperidade dos portugueses, superando a desorganização e o espírito individualista que caracteriza a nossa sociedade.

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