É o que farei neste visto. Habituados que estamos a olhar o mundo, destacamos três: a eleição do novo Papa, a 8 de maio; a morte do antigo Presidente do Uruguai, Pepe Mujica – José Alberto Mujica Cordano e as eleições legislativas, de 18 de maio.
1 – Com a morte do Papa Francisco, os católicos, mas não só, questionaram-se sobre o caminho que o novo Papa seguiria registei a afirmação do atual Patriarca de Lisboa, quando afirmou que há sempre nestas circunstâncias uma certa descontinuidade na continuação. Normal. Mas quando o recém-eleito Robert Francis Prevost escolhe o nome Leão XIV já estava a dar sinais interessantes das suas opções. Ocorreu-me de imediato o Papa da Doutrina Social da Igreja, Leão XIII, autor da “Rerum Novarum – Das Coisas Novas – os direitos dos trabalhadores”, em português. Leão XIV, em breve explicaria essa escolha: «Leão XIII enfrentou a questão social no contexto da primeira grande revolução industrial; e hoje a Igreja oferece a todos o seu património de doutrina social para responder a uma nova revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho”. E o apelo a “uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante” foi marcante.
2 – Pepe Mujica, antigo guerrilheiro, que foi perseguido pela ditadura instaurada no Uruguai nos anos setenta, foi Deputado, Senador e Presidente da República. As reações à sua morte despertaram em mim alguma curiosidade. O que encontrei sintetizado em algumas das suas frases merecem o registo e divulgação, entre outras: «A política não deveria ser uma profissão da qual você ganha a vida; deveria ser uma paixão pela qual você vive; o Poder não muda as pessoas, só revela quem verdadeiramente são; os indivíduos sozinhos não são nada, os indivíduos dependem da sociedade, e o progresso da sociedade é o que nos permite enriquecer e melhorar permanentemente a nossa vida”. Claras e elucidativas.
3 – Após um ano caraterizado pela estabilidade mais instável vimo-nos nestas eleições envolvidos em apelos à estabilidade, alguns, até bem fora do contexto e por detentores de altas funções, em que se inclui o próprio Presidente da República. As eleições mostraram uma opção em que a governabilidade não sai reforçada e, portanto, a estabilidade tantas vezes reclamada não melhorou. Os resultados exigem profunda reflexão por parte de quem pugna pelos valores da democracia.





