Terça-feira, 27 de Julho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Um homem antes do seu tempo

Trás-os-Montes Comemora Centenário do Pai da Agricultura Transmontana

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Com o título de Trás-os-Montes Comemora Centenário do Pai da Agricultura Transmontana, chega-nos uma nota da Agência Lusa, em que se dá conta das comemorações do centenário do nascimento do Eng. Camilo de Mendonça, que ocorre no próximo dia 23 de julho, levadas a efeito, em conjunto, pela Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM), Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte e várias organizações da Lavoura.

A iniciativa é a todos os títulos louvável e só peca por tardia, porque aquilo que se passou nas décadas de 50 e 60, e parte de 70, do século passado, com epicentro no Cachão, deveria não só ser recordado, como continuado. Não conhecemos pessoalmente o Eng. Camilo, mas do que tivemos possibilidade de investigar, no período imediatamente a seguir à sua saída da região, no após abril de 1974, permite-nos afirmar, sem qualquer receio de errar, que o Projeto que Camilo de Mendonça tinha para a região, se continuado, teria transformado por completo todo este interior do Nordeste, e seria hoje uma região rica, e não a “vil tristeza” em que está transformada.

A sonhada Regionalização Política do país, já se praticava nessa altura com este Projeto emblemático, que deveria ter sido replicado. É por isso que falamos de “um homem antes do seu tempo”, porque na realidade já dava uma “chicotada” no centralismo da política portuguesa, que só pensa nos grandes centros urbanos, sorvedouro dos nossos recursos financeiros.

Estas celebrações, tardias, são uma homenagem justíssima à figura pública de Camilo de Mendonça, e são a expressão de uma convocatória: É hora do país inverter esta realidade de abandono dos sectores da agricultura, silvicultura e pecuária, se quisermos ter um país equilibrado no seu desenvolvimento. Os avanços tecnológicos dos nossos dias tornam mais fácil a continuidade do “sonho” de Camilo de Mendonça. Iniciativa apontada ao desenvolvimento dos povos que aqui habitam e para os milhares de pessoas que podem regressar às suas terras deixadas ao abandono.

Aproveite-se a comemoração, para não deixar cair a ideia do Desenvolvimento Rural, que impregnava o seu Projeto. Será a melhor forma de o homenagear.

Têm a palavra, e a obrigação, as autarquias da região, cujas competências foram acrescentadas, com suporte de instituições vocacionadas para o desenvolvimento, como a UTAD e o IPB.

Até porque, pelo menos na próxima década, não faltarão meios financeiros da Comunidade Europeia, para este efeito. Mãos à obra.

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