Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022
António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Ver mundo

Deve-se a Miguel Torga uma expressão em que me inspirei para dar nome ao conjunto de escritos que, de quinze em quinze dias, trago aos leitores de A Voz de Trás-os-Montes. Dizia ele que “Do Marão via o Mundo”.

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Sim, nós podemos ter, daqui, deste outro lado da Serra que nos separou durante milénios do litoral, uma visão do mundo. E analisar o que nele se passa, com os nossos olhos, com as nossas circunstâncias, claro. Afinal, todos têm uma visão do mundo, condicionada pelas suas circunstâncias.

A importância de ver o mundo induz-nos a valorizar programas de mobilidade do ensino superior, como é o Programa Erasmus. Conheço casos muito interessantes. Os jovens que deles puderam beneficiar contactaram com outras realidades, interagiram com colegas de formações diferentes, conheceram outras culturas, enfim, aprenderam fora da sala de aulas. Alguns encontraram, mesmo, saídas profissionais que não imaginavam quando saíram deste seu mundo à descoberta de outros mundos. Conheço experiências muito enriquecedoras. Em seis meses, visitar museus por três vezes, mostrando monumentos a quem aparecia, uma, duas vezes, enfim, deixando despertar o interesse pelo património cultural e fazer de cicerone para familiares e amigos. De outro modo, mas proporcionando também contactos diferenciados, encontros de culturas e enriquecimento pessoal, estão as viagens que podemos fazer. São mundos que se descobrem. É riqueza que passa a integrar a nossa personalidade.

Em tempos, tive a oportunidade de visitar Goa, a Velha Goa, mas também a Nova, Pangim. Gostei de ouvir baladas em português e ver a catedral, testemunho da difusão do cristianismo pelo oriente. Visitei templos hindus, fortes carregados de História e a pérola que é o Taj Mahal. As medinas, nas cidades de cultura árabe, são um ponto de visita obrigatório. É o comércio tradicional. Aqui, ou ali, não foi difícil ler a conflitualidade entre pessoas de diferentes religiões. Aliás, as televisões e os jornais trazem-nos, vezes sem conta, notícias de tensões e conflitos de cariz religioso. Hoje, como em tempos idos.

Recente passagem pelo norte de Marrocos proporcionou-me nova visita a uma medina e constatar a informação que o Guia me dera dois dias antes. Na principal praça da cidade, de um e de outro lado, uma mesquita e uma igreja. Afinal, um testemunho da convivência que pode existir entre religiões, o reconhecimento do direito a cada um fazer o seu percurso espiritual.

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