Sábado, 4 de Dezembro de 2021
Manuel R. Cordeiro
Professor Aposentado da UTAD. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Viagem de Circum-navegação 1

A preparação de uma viagem desta envergadura, demorou bastante tempo.

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Construir as naus e recrutar os homens não deve ter sido uma tarefa fácil, mas foi uma tarefa conseguida.

Em 1973 por ação do Dr. Francisco Mendes da Luz, Embaixador de Portugal em Teerão e cônsul-Geral de Portugal em Valhadolid, foi decidido que em 1973 se faria uma discussão de temas de interesse a portugueses e a espanhóis, em Lisboa. Assim aconteceu e foi escolhida a Junta de Investigações do Ultramar para acolher tal reunião que foi chamada de “II Colóquio Luso-espanhol, no Instituto Superior de Higiene e Medicina Tropical”, de 25 a 29 de setembro de 1973. Participaram 28 investigadores e/ou historiadores sendo 15 de Espanha e 13 de Portugal.

As atas deste colóquio serviram-me de base para escrever este primeiro texto. Pertenciam ao Dr. Raul Ventura, que foi Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Subsecretário de Estado do Ultramar e Ministro do Ultramar. Foram-me oferecidas por uma das suas filhas, minha cunhada.

Nos 23 meses antes da partida, foram recrutados 237 homens, tendo sido muito difícil encontrá-los devido à duração prevista da viagem e aos enormes riscos que envolvia.
Havia várias nacionalidades, destacando-se os espanhóis, que eram 167, distribuídos por várias regiões como Andaluzia 65, País Basco 15 Castela, Galiza 10 e os restantes de outras regiões de Espanha.

Havia também 6 de África e Ásia e 79 de outros países da Europa, a saber, Itália, França e Portugal, sendo que o recrutamento de portugueses foi muito contrariado.

No seu diário da viagem, o italiano Pigafeta, cronista da viagem, sempre que se refere a Magalhães diz “O nosso Comandante”. Apesar da sua baixa estatura, Fernão de Magalhães era um homem muito forte, tanto mentalmente como fisicamente. Conseguiu, enquanto viveu, ter domínio sobre todos os participantes na viagem.

No Estreito de Magalhães, na Patagónia, mostrou bem que era um Comandante capaz de liderar homens de diferentes nacionalidades e com mão de ferro, como penso que teria que ser dadas as dificuldades enormes que a viagem sempre lhes colocou. Ali, segundo Pigafeta, matou alguns espanhóis que se amotinaram, mantendo-se assim ao comando das naus.

Se analisarmos os custos, não admira que o nosso Rei não atendesse as pretensões de Magalhães. À época, a moeda na Península Ibérica era o Maravedi que valia 27 réis portugueses.

O custo total da viagem foi de cerca de 10 milhões de maravedis, ou seja cerca de 270 milhões de réis. A rubrica com maior valor era a do pagamento ao pessoal, cerca de 86,7 milhões de réis.

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