Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

2022: Virar a página

A entrada num novo ano é sempre ocasião para projetarmos o futuro, quer em termos pessoais, familiares e, naturalmente, da vida coletiva.

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O Presidente Marcelo, na sua mensagem, insistiu na necessidade do país, “virar a página”, no que estaremos todos de acordo. Vejamos o que nos espera. Em termos de saúde pública, é ainda o Covid-19 que nos inquieta, porque os cientistas não são unânimes no diagnóstico.

O êxito da vacinação em larga escala no nosso país trouxe-nos tranquilidade. Porém, a infeção anda por aí e continuamos a viver tempos anormais. A economia vai respirando, mas não aconselha a investimentos, nem a novos projetos. Navegar à vista, não permite virar a página.

É o próprio Presidente que usa os termos: consolidar, decidir, reinventar, reaproximar, virar a página. Nada disto é possível sem a doença controlada. O novo ano chega ao país, em termos políticos, com um novo desafio, que permitiria virar a página da governação. O ato eleitoral a que seremos chamados no próximo dia 30 de janeiro, convida-nos a encontrar novas soluções de governação, sendo certo que o país tem nesta altura debilidades, que aconselhariam a que fossem enfrentadas de imediato na altura de depositar o nosso voto.

Transcrevo do Jornal Público de sábado passado: “Portugal é o país que vai ter a população mais envelhecida da Europa em 2050. É o terceiro país da Europa com maior dívida pública, somente atrás da Itália e da Grécia (127 % do PIB). É um dos países da Europa com menor produtividade, ou seja, que gera menos riqueza por hora de trabalho. É um país estagnado há 20 anos, desde que aderiu à moeda única. É um país que foi ultrapassado em Produto Interno Bruto (PIB) per capita por Malta, República Checa, Eslovénia, Lituânia, Estónia, Polónia e Hungria, tudo países que aderiram à União Europeia há menos de 10 anos. É um país que desceu da 15ª posição para a 22ª posição na linha dos países mais ricos de Europa”.

Estamos a ficar na cauda da Europa e com uma carga fiscal altíssima, que quem tem ainda algum rendimento é obrigado a suportar.

É este virar de página que desejaríamos que os governantes, que sairão deste próximo ato eleitoral, fizessem. Porém, dos debates pré-eleitorais, concluímos que a situação económica e financeira que deixamos enunciada, o não permitirá.

Ainda assim, que cada um de nós, não deixe de exercer o seu dever de votar no próximo dia 30, sem antecipadamente fazer um juízo de valor negativo, sobre quem virá a ser eleito. Porque é isso que, verdadeiramente, vai estar em causa no dia 30 de janeiro.

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