Não devendo haver contemplações para atos hediondos e aberrantes como estes, convém, contudo, analisar com seriedade e isenção o que têm dito e escrito alguns fazedores de opinião sobre esta matéria, comparativamente ao que expressaram no passado, sobre o chamado processo Casa Pia.
O anticlericalismo desenfreado, enraizado nalgumas mentes, veio agora novamente ao de cima, a pretexto desta situação, de que é exemplo o que, ainda há dias, uma conhecida deputada da nação, useira e vezeira em pôr-se em bicos de pés, como sói dizer-se, na sua ânsia de protagonismo, revelou ao subscrever uma crónica, na sua habitual coluna de opinião, num jornal de referência nacional, referindo que a concordata deve ser revista para se acabar com as “coutadas de privilégio” e para a Igreja “não continuar a beneficiar do regime fiscal paradisíaco previsto na lei.”
O que se pergunta é o que têm estes atos abomináveis que ver com os privilégios da Igreja? Sendo tais comportamentos condenáveis a todos os títulos, sem dúvida, não se deve confundir a árvore com a floresta. Não se entende, por isso, esta sanha persecutória contra a Igreja, quando tal postura nunca se viu em relação ao que se passou no caso Casa Pia. Por que razão se insiste na ideia de ser a Igreja, e não os seus autores, a ter de indemnizar as vítimas, quando não tomaram idêntica atitude em relação ao que se passou naquela instituição tutelada pelo Estado, através do Ministério da Segurança Social? Onde está a coerência desta gente?
A Igreja é uma instituição milenar que já passou por fases atribuladas da sua existência, conseguindo sempre superá-las com dificuldades, não obstante, continua a desenvolver a sua ação evangelizadora e de apoio aos mais frágeis da sociedade, substituindo-se muitas vezes ao Estado, na obrigatoriedade de auxiliar os mais carenciados, através da Cáritas Portuguesa, promovendo e dinamizando a ação social, prestando, assim, um trabalho meritório à comunidade, sendo muitas vezes esquecido, deliberadamente, por alguns daqueles que se mostram sempre tão pressurosos e ativos quando algo corre mal no interior da Igreja.
Sejamos imparciais e justos nas nossas apreciações para não cairmos no campo de radicalismos inúteis e sem sentido.
Não queiramos ressuscitar os fantasmas da 1.ª Republica, de tão má memória.




