São antes uma chacina levada a cabo por uma organização de ultradireita, teocrática e (desculpem o pleonasmo) ultranacionalista. Os horríveis crimes de 7 de outubro deixam agora os Palestinianos de Gaza à mercê da maligna aliança entre a raiva e o ódio desencadeados pelos massacres entre os Israelitas e os impulsos mais básicos dos fundamentalistas religiosos de Israel. As consequências já estão à vista, na subsequente chacina humana executada pelos bombardeamentos da força aérea israelita, na tentativa de eliminar o Hamas.
Pode ser que o Hamas tenha pavor à crescente aceitação do Estado de Israel por, ainda, mais um dos putativos aliados da causa, a Arábia Saudita. Mas, eu acredito que o Hamas não teria executado este ataque se não fosse a democracia israelita estar numa luta fratricida entre a direita fundamentalista e religiosa e os setores mais seculares da sua sociedade. Luta esta que é, pois claro, desencadeada pela tentativa do atual primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, se perpetuar no poder e de impedir que os casos de corrupção o metam na cadeia. Netanyahu foi sempre um demagogo. Se não acreditam, vejam como permitiu que chamassem Nazi a Yitzhak Rabin depois dos acordos de Oslo.
Neste momento, aliado a ultranacionalistas ortodoxos em Israel, alterou a constituição para dizer que Israel é um País Judeu, efetivamente retirando direitos a uma parte dos seus habitantes, e tenta agora limitar o poder dos tribunais. Estas manobras descaradas para cercear a democracia em Israel têm fraturado de forma violenta a sociedade israelita, muita da qual está contra esta tomada do poder pelos ultraortodoxos e nacionalistas, que insistem em perpetuar, por exemplo, a expansão dos colonatos na Cisjordânia.
Parece paradoxal mas não é, que dois movimentos que são inimigos de morte, neste momento, sejam os maiores aliados. O Hamas, porque precisa da violência atroz para que não o reduzam à insignificância e a aliança liderada pelo Likud, porque pode assim justificar ainda mais a expansão do Estado Israelita. Dois movimentos de ultradireita com exigências maximalistas e que não querem olhar a fins para chegar aos seus objetivos.
As pessoas da Palestina e de Israel merecem muitíssimo mais. Merecem paz, prosperidade e felicidade, como todos nós. Mas não vai ser agora.





