Terça-feira, 29 de Novembro de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Agora não há desculpas

Escrevemos no dia anterior ao do ato eleitoral que fosse qual fosse o resultado, dada a frágil situação económica do nosso país, deveria estabelecer-se um grande consenso entre as forças partidárias, tendo em vista acelerar o processo de desenvolvimento por forma a deixarmos a cauda da Europa.

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O nosso Produto Interno Bruto – PIB per capita – é baixíssimo. Porquê? Porque trabalhamos menos tempo que os outros? Porque o nosso sistema educativo não prepara devidamente os alunos para a idade ativa? Porque a nossa legislação laboral é pouco exigente?

Resumo, pois conhecem-se as causas, mas não se têm atacado com as medidas necessárias. 

Havendo agora, um partido com maioria absoluta, temos condições para uma agenda rigorosa. Porém, já muitos andam entretidos – na comunicação social – a acenar para os perigos deste absolutismo. De como o PS tem a mania de confundir o Partido com o Estado, de colocar amigos e familiares em lugares chave sem respeito pelos Reguladores e instituições independentes. Mesmo que isto seja verdade, é preferível um poder absoluto – como escrevia um colunista no Expresso –, a uma nova Geringonça, como a que nos últimos anos obrigou o Governo a espalhar sementes ideológicas de extrema-esquerda (PCP e BE), que só contribuíram para o crescimento de um Estado desproporcional, lento, pesado e ineficiente, para uma perseguição ideológica à iniciativa privada e para a manutenção de uma carga fiscal castradora sobre as famílias e as empresas.

Admite-se que a extrema-direita não queira abdicar de alguns dos temas que a caracterizam, porém nada obsta a que os seus 400 mil eleitores se possam comprometer ,também, com o tema do desenvolvimento.

Lembramos que acordos de legislatura amplos são normais nas democracias consolidadas dos países do Norte da Europa e talvez resida aqui a razão pela qual se conservam sempre no pelotão da frente, de que resulta que o nível de vida dos seus cidadãos seja incomparavelmente superior ao dos países mediterrânicos que não tem querido alinhar em amplos consensos de governação por períodos de legislatura – quatro anos ou mais.

Competiria ao grande vencedor, o ainda Primeiro-ministro, dar o passo à frente. 

Esta atitude torná-lo-ia num governante para a história e teria, certamente, a companhia do atual Presidente da República, que, como líder do PSD, não teve dúvidas em apoiar o então Primeiro-ministro e seu amigo pessoal António Guterres.

Sonhar, como os leitores estarão a pensar, é fácil. Também reconhecemos isso. Mas não é o sonho que comanda a vida?

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