Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021
Mário Lisboa
Tenente-Coronel da Força Aérea. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Ainda os Incêndios Florestais

Só quando chove mesmo no inverno é que os fogos florestais dão alguma trégua aos bombeiros.

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De facto, o período de maior probabilidade de ocorrência de três incêndios florestais costuma ser entre os meses de julho e setembro.

No entanto, temos verificado que, nos momentos previsíveis de menor perigo de incêndio, ocorrem situações especiais provenientes de condições meteorológicas adversas ou de outras circunstâncias agravantes deste flagelo.

Fazendo um balanço dos incêndios do Verão passado, tudo aponta para uma descoordenação dos meios empregues, confirmando que em Portugal, se debate muito, mas se age pouco.

Destes meios foram sem dúvida os aviões e os helicópteros que, desde o raiar do Sol até à penumbra durante os meses já acima referidos, diariamente sem descanso, travaram uma luta sem tréguas de Norte a Sul do País, onde a sua intervenção atingiu um volume nunca visto.

Deste modo o Serviço Nacional de Proteção Civil e os Bombeiros também atuaram com muito sacrifício, mas sem um planeamento adequado às respetivas circunstâncias, o que deu origem a alguns incêndios descontrolados.

Sabe-se que para a concretização dos grandes objetivos estratégicos do Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios foram estabelecidas metas cuja realização passa, pelo empenho de todas as entidades responsáveis, visando globalmente o horizonte temporal de 2014 a 2018, redução da superfície devastada pelos incêndios florestais, para valores equiparáveis à media dos Países da Bacia Mediterrânica.

Neste contexto os pilotos de combate aos fogos florestais serão destacados pelos centros de meios aéreos, de Norte a Sul do País em estado de prontidão permanente, cumprindo as determinações exigíveis para enfrentar as labaredas, voando a baixa altitude rodeados de obstáculos em “áreas desconhecidas”, com elevadas temperaturas, fraca visibilidade, com carga suspensa consideráveis, muitas vezes em zonas de captação de água mal preparados, etc.

Assim, voar nestas condições, é desafiar o limite da capacidade humana e da própria máquina.

Finalmente, os perigos que estes pilotos enfrentam, o alto risco com que exercem a sua ação, a serena generosidade com que se aplicam na sua função ao serviço do País fazem deles uns heróis, credores dos mais entusiásticos elogios que o País precisa, antes, estar equipado para enfrentar estas situações hostis, que todos os anos nos consomem.

Esperemos que isto aconteça para bem de todos.

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