Sexta-feira, 24 de Maio de 2024
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Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Banda de Mateus ao encontro da paixão de Cristo

Um arsenal luxuriante de imagens e de sons nos foram oferecidos pela Banda de Mateus, cujo palco sagrado foi a inspiradora igreja matriz da paróquia local.

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Concerto solene de arrebatado êxtase e intensidade emocional. Música inconformada sempre à procura de maravilhosas redes cobertas.

A Paixão de Cristo teve o seu epicentro na evocação da Via-Sacra de Cristo Redentor que ressuscitou ao fim do terceiro dia depois da sua morte agonizante pela malvadez inconcebível dos homens. Nas imagens, Judas agiliza a queda de Jesus Cristo entregando-o a oficiais do Império Romano escolhidos a dedo. E Maria Madalena, que segundo os quatro evangelhos canônicos, vê horrorizada Cristo morrer na cruz… o seu rosto era a marca de sofrimento atroz.

Os músicos, imbuídos de reflexão interior, interpretaram o espírito em sentimentos tão antagónicos como a fúria dos judeus ou a piedade contrita dos cristãos. “Crucificai-O, crucificai-O”, foi repetido até ao paroxismo, e isso comoveu tudo e todos, levando ao silêncio absoluto da assistência que compenetrada nos sons e nas imagens não ousava pestanejar sequer.

O resultado final suplantou todas as expectativas e todos ovacionaram de pé sem pressa de sair, colando-se nos lugares comovidos até ao fundo da alma. A afinação da banda, bem como a sincronia com as imagens alusivas à Paixão de Cristo, foram o corolário de um concerto que vai perdurar na memória de toda a assistência durante muito tempo.

Já perto do fim, assistiu-se a um momento alto de emoção contagiante, quando Tó Pinto, como é conhecido carinhosamente pela população de Mateus, entregou das suas mãos uma lira em madeira à Banda, obra carinhosamente concebida pelo sobrinho Fausto Rebelo.

Tó Pinto integrou como músico a Banda de Mateus durante várias décadas com orgulho e devotada paixão, demonstrando um profissionalismo como poucos. Um melómano das artes, um coração admirável de sensibilidade, uma homem livre e respeitado pela população.

A sua relação para com o seu semelhante é séria, por vezes silenciosa, mas fiel e verdadeira. Tive a honra de o conhecer dentro e fora da banda. Sob a minha batuta, lembro-o como um executante de excelência em trombone e como um exemplo de vida que os jovens músicos queriam seguir.

Parabéns à Banda de Mateus que soube tocar de forma tão espiritual e desopilante.

A música é e será a arte de todas as paixões e por ela os corações se deixarão trespassar pela força emocional dos sons. A música é uma via de aperfeiçoamento do homem. A via do seu aperfeiçoamento interior e nunca o mundo tanto precisou dela. A música, essa arte que por vezes nos espanta e revolve, por milhões de vezes que seja ouvia!

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