Sexta-feira, 26 de Novembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

E agora?

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Situação curiosa, na medida em que a personagem que diariamente nos habituou a entrar nas nossas casas, através dos canais televisivos, nesta altura está tranquilamente a ouvir, o que o país-político tem para lhe dizer, sobre esta situação anormal que vivemos.

Uma situação criada pela deliberação inesperada da Assembleia da República que decidiu não concordar com a proposta do Governo acerca do Orçamento de Estado apresentado pelo executivo, para governar o país no ano económico de 2022. Afinal, uma deliberação aparentemente normalíssima em democracia.

Então, porquê esta aparente ansiedade? Em nosso entendimento, a unanimidade dos atores políticos – as diversas bancadas partidárias – tomaram a mesma decisão, da não aprovação, por razões e interesses que se percebem, serem, na sua maioria, contraditórios.

Vejamos alguns exemplos, começando pela Esquerda: O Partido Comunista, que foi nestes últimos seis anos de Geringonça quem mais colaborou como encosto ao partido do Governo, queria ver reforçada a sua posição, ansiando que não sendo dissolvido o Parlamento, acabaria na próxima proposta ver contemplados os seus desejos. Porque, o que jamais lhe interessará é ir a eleições, das quais, admite, virá a sair muitíssimo penalizado.

O que se diz da bancada comunista, aplica-se do mesmo modo ao Bloco de Esquerda, embora este, pela sua maior expressão em número de deputados, admite que não sairá tão fragilizado.

Todas as bancadas parlamentares da designada direita, ansiavam por esta oportunidade de crescer em número de mandatos, admitindo a penalização do Governo pelos eleitores desgostoso destes seis anos de indefinição e pela forma como o gigantesco elenco governativo de 77 elementos se comportou. Ir às urnas o mais rapidamente possível, parece um raciocínio lógico. Ver-se-á depois se o eleitorado lhes dá razão.

Por último, a bancada socialista, cansada das arremetidas dos parceiros de esquerda e dos constantes ataques da direita parlamentar, e até de alguma comunicação social, respira de alívio com o fim deste pesadelo, sonhando com a hipótese do eleitorado penalizar uns e outros, concedendo generosamente a paga pelo sacrífico de difíceis finanças públicas.

Aguardemos então, serenamente, pelo fumo branco que sairá do Palácio de Belém, com a certeza, como disse um dia o Almirante Pinheiro de Azevedo, na Praça do Comércio em Lisboa: O povo é sereno. Conclusão que só saberemos daqui a dois ou três meses.

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