Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2023
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Victor Pereira
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

E que tal falarmos de castidade?

A sexualidade é um dos maiores e belos dons com que Deus agraciou a pessoa humana.

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Sexualidade que também compreende a genitalidade, o ato sexual físico em si, mas não se reduz a esta. Diga-se desde já, portanto, que o sexo é bom e é uma bênção para a pessoa humana e para a espécie humana. “Deus viu tudo que tinha feito e era tudo muito bom”. Mas como tudo na vida, é preciso ordenar e educar a sexualidade, vivê-la de forma verdadeiramente humana e livre.

Na sociedade em que vivemos, encontramos duas posições antagónicas e distorcidas sobre a sexualidade, com profundas raízes históricas: por um lado, ainda vemos perdurar uma visão negativa da sexualidade, porque tudo o que está no corpo e vem do corpo é mau. Ainda são resquícios, por exemplo, do Maniqueísmo e do Jansenismo na história da Igreja, do dualismo como olhavam a vida e o ser humano: se existe o bem e o mal, o espírito é bom, o corpo é mau.

A sexualidade é assim uma dimensão pecaminosa, infeliz e vergonhosa do ser humano, a ser suportada, mas escondida e desprezada. Até se chegou a acreditar que o pecado original seria o ato sexual. Esta não é a visão cristã da sexualidade e é até ofensiva contra Deus. Por outro lado, temos uma visão oposta: o corpo e todos os seus desejos são bons, todos os prazeres corpóreos são bons, por isso não deve haver nenhum entrave nem nenhum limite à sua satisfação, um pouco na linha de correntes históricas, como o Hedonismo e o Epicurismo. Foi esta visão que se impôs nas nossas sociedades ocidentais, impulsionada pela revolução sexual dos anos sessenta, em que se exigiu liberdade total para a sexualidade. Tudo pelo prazer, nada contra o prazer. Este modo de ver a sexualidade (mais concretamente a genitalidade) tem levado a grande desumanização e escravização sexual, e a formas caóticas e perturbantes de se viver a sexualidade.

Ambas as visões são excessivas, estão deformadas e são incorretas, e não são cristãs. Qual é então o caminho que a Igreja propõe para uma reta, saudável e humana forma de se viver a sexualidade? A virtude da castidade. Esta passa em primeiro lugar nem por demonizar o sexo, mas também por não adorá-lo e fazer do prazer sexual o fim último do sexo, instrumentalizando-se o outro ou outra. Viver a castidade é viver o desejo sexual de forma controlada, com moderação e equilíbrio, colocando-se a sexualidade ao serviço da vida e do amor. Não é uma virtude negativa, nem desmancha prazeres, mas é humanizadora e libertadora.

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