Sábado, 6 de Junho de 2026
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Guerra sem fim?

O que é que o Czar de Moscovo tem na manga

Já nos interrogámos, em crónicas anteriores, sobre as razões que levaram o senhor do Kremlin a iniciar uma guerra contra os seus vizinhos ucranianos, sem que, aparentemente, o lado ocidental da Europa se tivesse apercebido de alguma motivação válida conhecida, para desencadear um conflito militar contra uma população indefesa, que habitava o outro lado da fronteira. Os meses têm passado (já lá vão mais de dez) e a maioria das pessoas continua a interrogar-se sobre o que é que a Rússia pretende, ou melhor, o que é que o Czar de Moscovo tem na manga.

As suas dúvidas, à cerca deste conflito, são partilhadas por muitos comentadores internacionais e, naturalmente, pelos governos da Europa Ocidental. A comunicação social vai-se dando conta da literatura que vem sendo divulgada sobre este tema e, pessoalmente, continuamos com as mesmas dúvidas: o Czar não fala e as instâncias internacionais, ONU ou NATO, também não revelam nada de novo.

No livro “O Mago do Kremlin”, de Giuliano da Empoli, encontrámos algumas pistas para reflexão, que vamos partilhar com os nossos leitores. A obra conta a história da ascensão de Putin e da consolidação do poder pelos olhos de um enigmático conselheiro, o seu homem sombra, o seu conselheiro político, que nos permite entrar no Kremlin e na cabeça de Putin. Isto, evidentemente, na opinião do autor, e nada mais do que isso. Mas, mesmo assim, vale a pena ler para perceber até onde a maldade humana e, sobretudo, a vaidade natural do Czar nos está a encaminhar.

Lenine, um ideólogo do regime soviético desta altura, afirmava: “É necessário sonhar, mas o único sonho permitido é o de Estaline. Todos os outros devem ser suprimidos”. São ideias destas que ajudaram a construir o império Estalinista, baseado sempre na ideia de que a Rússia, dos Czares, era o Sol da Terra. Ademais, referindo-se ao Poder, o que se ensinava, era que o poder era como o sol e a morte: Não se podem olhar de frente. Sobretudo na Rússia.

-PUB-

É esta postura que está na cabeça do atual Czar russo, que estará autoconvencido que é predestinado como o único líder para conduzir a Rússia ao domínio de todo o universo conhecido.

Quem teve a oportunidade de ver as imagens televisivas, que nos chegaram da Catedral de Moscovo, em que a única coisa que se via, para além do celebrante junto ao Altar, era Putin, sozinho, a menos de quatro metros de distância, sem uma única pessoa mais a assistir à cerimónia do dia de Reis.

Porque ele julga-se que é de facto o Rei.

Pobre mundo que nisto consente!

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