Quarta-feira, 5 de Outubro de 2022
Victor Pereira
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Estatuto do Professor

O ano escolar arrancou com muitas escolas ainda por assegurar professores para todos os alunos, o que vai trazer graves prejuízos para os alunos e muita instabilidade na escola e no andamento do ano escolar.

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São várias as razões para cada vez mais ser difícil recrutar professores. Duas são conhecidas: nos últimos anos, muitos professores pediram a reforma antecipada e, pelos vistos, a carreira docente já não é uma prioridade para os jovens estudantes. Perdeu prestígio e atratividade.

Infelizmente, vemos crescer de dia para dia a dolorosa desconsideração pelo professor, o que para mim é um claro sinal de alguma decadência das nossas sociedades e da nossa cultura. A começar desde logo pelo Estado, que nos últimos anos arrastou a carreira docente para uma grande confusão e tornou-a num calvário, onde não falta vinagre e fel, uma profissão instável, mal remunerada, burocrática, atabalhoada em normas e decretos, penosa e cansativa, pouco realizadora e gratificante. Vamos encontrando muitos professores que não escondem o seu desencanto face ao seu trabalho e à sua carreira, suspirando pela abençoada e medicinal reforma.

O cidadão comum, que noutros tempos olhava para o professor com deífica veneração e se dirigia ao docente com lhana cortesia e púdico respeito, hoje já levanta a voz, pede satisfações, vitupera o professor e atribui-lhe todos os defeitos, quando não o agride, em defesa dos santos meninos que tem lá em casa. Até assistimos a lamentáveis atos de humilhação dos professores. Perdeu-se o respeito pelo professor, pela sua função e pelo seu trabalho, o que diz muito do lastimoso estado da educação familiar e social. E de uma forma geral, na sociedade vai passando a imagem de que o professor é, muitas vezes, calaceiro, falta muito, só se preocupa com o seu ordenado e não com o maior bem dos seus alunos, estuda pouco e não se empenha na formação permanente. Poderá até haver e há casos destes, mas não é, nem de longe nem de perto, a realidade da classe docente.

Temos de voltar a recuperar o respeito pelo professor e dar-lhe prestígio e autoridade. Uma educação consistente, exigente e integral é um dos pilares da sociedade. Mas para que isso aconteça também temos de ter uma classe docente motivada, apoiada pelo Estado e pelas famílias, realizada e feliz na sublime profissão que exerce. Um grupo de professores competentes e sábios é o melhor exército que um país pode ter. O professor deve gozar sempre de grande estima e enorme respeito.

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