Assim aconteceu este ano, mais uma vez, e, não obstante ter constatado que há sempre umas ervas daninhas que tentam contaminar, com laivos de vaidade balofa e um autoconvencimento provinciano, o ambiente natural e saudável da aldeia de Guiães, valeu a pena este regresso ao torrão natal, para um reencontro com velhos companheiros e amigos de infância que labutam na estranja e, tal como eu, regressam para matar saudades.
A festa deste ano teve algumas particularidades, desde logo por se ter verificado a não participação da conhecidíssima Banda Musical de Lalim, cuja presença na festa de agosto se perde no tempo, podendo mesmo considerar-se como fazendo parte da mobília. A sua ausência não teve que ver com quaisquer compromissos anteriormente assumidos, mas tão só com a falta de equidade dos seus responsáveis, ao exigirem uma verba exorbitante para aceitarem o convite que lhes foi, amavelmente, dirigido pela comissão de festas (CF).
Naturalmente, que dados os valores envolvidos, e face à pouca razoabilidade demonstrada, a CF viu-se obrigada a optar por alternativas mais plausíveis, como acabou por acontecer, convidando outras bandas para os três dias do evento festivo. Cabe aqui uma palavra de apreço e congratulação à Banda de Musica de S. João da Madeira, que perante a recusa da sua congénere de Lalim em ceder a partitura da Marcha de Guiães, cuja letra e música é da autoria de Monsenhor Ângelo Minhava, resolveu ultrapassar, com sucesso, essa atitude deselegante, através de alguns ensaios previamente realizados, que culminaram com uma interpretação soberba desta composição musical, ao mesmo tempo que o senhor Adelino Calhau, seu Presidente da Direção, num gesto digno de registo e de grande voluntarismo, se comprometeu a disponibilizá-la à CF, para interpretações por outras bandas musicais, sempre que tal for necessário.
Merece também destaque a feliz iniciativa tomada pelos responsáveis pela organização da festa, que, ao convidarem elementos da PSP, GNR e Exército para participarem na tradicional procissão de domingo, com a sua presença, muito dignificaram o ato religioso, constituindo, tal iniciativa, um facto inédito nos anais da histórica romaria guianense. Como pormenor interessante importa salientar que todos eles são filhos da terra, desempenhando as suas funções profissionais nos mais diversos pontos do país, em diferentes escalões hierárquicos, nas respetivas carreiras.
Aproveitando a circunstância desta minha deslocação à terra que me viu nascer, dei uma saltada à vizinha aldeia de Galafura, para visitar a exposição promovida pela Associação Cultural, Social, Desportiva e Recreativa daquela simpática aldeia duriense, dedicada aos combatentes do Ultramar, que ali nasceram, encontrando-se patente ao público, na antiga escola primária, todos os domingos à tarde, durante o mês de agosto.
Parabéns aos seus promotores, pela singela homenagem prestada aos Combatentes do Ultramar.
PS: Nesta minha curta deslocação, tomei conhecimento que faleceu, há cerca de dois meses, o meu conterrâneo e estimado amigo António Brites, de quem guardo gratas recordações, desde os tempos em que era visita habitual de sua casa, no Bairro Cazenga, em Luanda, quando ali cumpri o serviço militar, no Centro de Instrução de Comandos, nos princípios da década de 70. À sua família e em especial à viúva Fátima, envio os meus sentidos pêsames. Que a sua alma descanse em paz.





