Quarta-feira, 24 de Abril de 2024
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Mário Lisboa
Mário Lisboa
Tenente-Coronel da Força Aérea. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Portugal com medo de ter medo

Vive-se, neste País, um sentimento de inquietação com a ideia de perigo real que se chama «medo».

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Cada dia que passa ouvimos notícias que nos mostram, com clareza, que aquilo que se construiu depois de 25 de Abril de 1974, em termos de direitos sociais e qualidade de vida, está a ser desmontado por um poder político alinhado e ao serviço do grande capital financeiro.

Na região de Lisboa, onde tudo acontece para o pior, os que cá vivem sujeitam-se ao sistema por não terem outro remédio para todas estas desgraças.

Um cidadão residente em Sintra, ou na linha do Estoril, prepara-se para ir trabalhar e quando chega à estação depara com uma greve, não só nos comboios, mas também nos autocarros, no metro, etc. Quando chega ao emprego está à espera que a porta esteja fechada ou então lhe digam “está despedido”.

Começou o medo.

– Quando precisa de ir ao hospital para marcar uma consulta, para além de pagar uma taxa, vai esperar no mínimo um mês, se tiver sorte, e também que não haja qualquer greve no referido hospital.

O medo continua.

– Um jovem de 17 anos procura repetir a matemática porque não teve os 16 valores mínimos necessários e imprescindíveis para a sua admissão ao curso superior que sempre quis tirar.

Realmente a matemática, criada pelo atual sistema de ensino, que pretende transformar os jovens portugueses nos «Einstein Europeu», mesmo que esta disciplina nada lhes venha a servir nos cursos que pretende seguir .

O medo subsiste.

– A seguir, este jovem termina o seu curso superior e vai trabalhar como caixa de um supermercado porque não há emprego de acordo com o seu potencial cultural, com medo de ser despedido.

É assim o panorama deste País dilacerado e sem soluções.

Em próximas oportunidades iremos continuar com os medos que afligem muitos dos portugueses, restando a alguns deles que, durante a sua vida, nunca andaram de comboio, autocarro, bicicleta e até continuam a viajar no lugar de trás do seu «Mercedes» a lerem as últimas dos jornais da cor.

Enfim, são só desgraças a que se assiste neste Portugal à deriva com estudados silêncios convenientes dos mais altos responsáveis.

Com o devido respeito pela cidade de Lisboa, ninguém é capaz de escrever e dizer, preto no branco, o que está mal e o que devia estar bem.

Em bom rigor, os detentores da verdade são aqueles que nada sabem e nada debitam.

São esses que, sem olharem ao que fazem, (mal) obrigam os outros a fazerem bem, mesmo que os obriguem a deixar de comer ou a tomar medicação.

Tem de tomar uma opção: alimentação ou morte.

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