As enormes carências que o aumento inflacionado do atual momento de vivência, é paradigma do que acima referimos. Deste modo, folheando o Diário de Notícias de Lisboa de 3 maio de 2016, deparamos com uma notícia do maior interesse para servir de base a esta problemática. Assim, citando o jornal italiano “Corriere della Sera”, o Diário de Notícias escreve sobre uma sentença do Supremo Tribunal italiano, a propósito de um pequeno roubo num supermercado.
Revendo numa sentença condenatória sobre este episódio quando um Tribunal de Primeira Instância, o Supremo decide as condições do arguido e as circunstâncias em que aconteceu a apropriação de bens, demonstram que ele se apoderou de uma pequena quantidade de comida para fazer frente a uma imediata é imprescindível exigência de se alimentar, agindo, portanto, em estado de necessidade. Quer isto dizer que roubar para comer “não constitui um crime”. É esta a conclusão dos doutores juízes italianos.
Questões como esta, sempre se colocaram a quem é cristão católico, dificilmente um cristão católico poderá encontrar culpa em quem rouba bens de primeira necessidade para fazer face às carências familiares.
Tudo isto vem a propósito da multiplicação de roubos por parte de pessoas sem recursos (atum, peixe, azeite, quiçá comida para crianças), é o que, de facto, é roubado. A pobreza afeta a vida a quem trabalha e a quem não trabalha. Os vencimentos de uma grande maioria dos portugueses são baixos e não tiram as pessoas do risco da pobreza. Mesmo quem tem a vida equilibrada no fio da navalha, corta-se e bem, com uma inflação que nem sequer é catastrófica.
A solução é pedir esmola é para isso até está montada uma espécie de indústria de acudir aos pobres e miseráveis, que somos quase todos. Pelos vistos, sobram poucos.
Em paralelo, há quem lucre até ao pecado com a desgraça alheia, como está a acontecer bem à frente dos nossos olhos. O que esperamos é que ninguém tenha que invocar o Supremo Tribunal Italiano “para comer ao menos uma côdea de pão – restando saber qual a jurisprudência que há por aí”.
Nunca se sabe, embora se saiba que pedir esmola é “mais legal e justo”.





