Sábado, 6 de Dezembro de 2025
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

Um ano repleto de contradições

Solstício de Inverno com dia de sol aconchegante, que compense o frio da geada na Barreira e no Monte da Forca, é propício a um olhar sobre o ano que termina.

E este de 2024, em que se celebra o 50º aniversário do 25 de Abril, trouxe-nos algumas surpresas. Merecedoras, precisamente, por constituírem surpresa, de uma especial atenção. Surpresas e negações de evidências. Vejamos!

Março foi mês de eleições. Por força de uma dissolução do Parlamento contra uma maioria absoluta, estável e a concretizar o seu programa eleitoral. Ainda hoje difícil de compreender. Até o Presidente da República recorda, agora, os “tempos em que foi feliz e não sabia”, como afirmou recentemente. As estatísticas do INE, tornadas públicas na semana passada, evidenciam que o “Índice de bem-estar dos portugueses subiu e o sentimento de segurança contribuiu para a melhoria”, na leitura do Expresso, que corrobora, ainda, – “segurança pessoal, educação e bem-estar económico foram os indicadores que apresentaram uma evolução mais favorável em 2023”. E a “taxa de criminalidade registada, no mesmo ano, apresenta um decréscimo. Surpresa? Não me parece. Há quem queira negar esta realidade e insiste em tentar mostrar o contrário. O que aconteceu na Rua Benformoso, na zona do Martim Moniz, em Lisboa, numa operação especial da PSP é elucidativo. Dezenas de pessoas revistadas, de mãos no ar e viradas para a parede, numa atitude indigna de um país democrático e, helas!, encontraram um canivete no bolso de um cidadão português. Quem presenciou tal cena qualificou-a de “falta de humanidade”. O PR pediu mais “recato”.

Em momento de balanço, merece uma atenção especial, e hoje os lavradores do Douro são chamados a votar na sua Casa do Douro, o facto de terem ficado nas videiras da região demarcada e regulamentada mais antiga do mundo uvas que correspondem a uma área de 120 ha. Onde há uma população que vive da vinha e dela retira fracos rendimentos. Uvas que ficaram na vinha porque o comércio não as quis comprar e as boas cooperativas têm dificuldade em admitir mais sócios.

Mas o solstício de Inverno pré-anuncia as festividades do Natal. Para os cristãos, a Luz que se renova todos os anos; para todos, a nova luz que há de vivificar, trazer um tempo novo, um renascimento, porque é também purificadora, bem testemunhado pelas fogueiras de Natal ou de Ano Novo. O fogo transformador da matéria. Pois, que esta Luz que o Natal/Solstício é, ou representa, seja de renovação, transformador de mentalidades e induza sentimentos e atitudes de humanismo.

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