Recebido de braços abertos – gentil como é, não poderia ser de outro modo – tornei-me, por adoção, um dos seus, já nos algo distantes anos oitenta do século passado. E houve por bem a Câmara Municipal outorgar-me em 2015 a Medalha de Ouro de Mérito Municipal. Sinto-me muito honrado por tal facto. Mas, no momento de tão relevante efeméride, cumpre-me congratular-me e dar os parabéns a esta nossa cidade. Interessante constatar que Vila Real foi sede de diocese ainda antes de ser cidade. A Bula que a institui tem data de 20 de abril de 1922.
É habitual atribuir-se a D. Dinis a sua criação. Seja com a carta de Foral de 4 de janeiro de 1289, ou com a anterior de D. Afonso III, a 7 de dezembro de 1272, ficámos a saber na intervenção que o programa Polis possibilitou na Vila Velha que a sua origem vai mais longe, ao neolítico. Hoje, o importante mesmo é realçar a evolução que ela foi tendo e que, nos tempos que correm, a afirmam, no contexto nacional, como uma progressiva cidade média. Quando da última intervenção urbanística na sua sala de visitas, que a abriu e passou a mostrar de forma mais clara marcas da sua História, foi deveras interessante escutar do Arquiteto que lhe deu expressão, Belém Lima, a relevância do diálogo entre o palácio dos Marqueses, com a sua janela manuelina, e a igreja de S. Domingos, em gótico tardio, assim como a Casa de Diogo Cão, lá mais em baixo, constatando-se que todos estes testemunhos se encontram sob o olhar de Carvalho Araújo, o marujo que a marcha de Mons. Ângelo Minhava também não deixa esquecer. Ali se realça a bravura do 1º governador de Ceuta, Pedro de Meneses, a ousadia de Diogo Cão que, à bolina foi costa africana abaixo até à foz do Zaire, a presença das ordens religiosas, tão importantes na sua evolução, bem como a coragem do General Silveira que, em sistema de guerrilha, se opôs a Soult na segunda invasão francesa e a quem Maria do Carmo Serén dedica na biografia de que é autora “Uma Espada de Brilhantes”.
Vila Real, a nossa cidade, mostra-se assim, verdadeiramente “ornada de tantas galas”. E porque faz jus ao “entre quem é” de Trás-os-Montes e Alto Douro “sorri para quem passa”. Merece bem o 100º aniversário que está a viver!





