Sabe-se que nasceu em Lisboa em 1514, no seio de “gente boa e limpa” e que aos 14 anos ingressou na Ordem de S. Domingos. Em 1551 frequentou os Estudos Superiores em Salamanca e aí foi consagrado Mestre em Teologia. Um ano depois entrou na Casa do Infante D. Luís, como precetor de seu filho António que viria a ser Prior do Crato e aclamado Rei de Portugal. Em 1558 foi proposto pela regente do D. Catarina para ser confirmado Arcebispo de Braga pelo papa. Seria o substituto de Baltasar Limpo, conhecido pelas suas ligações à inquisição. O arcebispo que acaba de ser elevado aos altares, já era santo antes de o ser. Foi um verdadeiro andarilho pelas Terras de Trás-os-Montes, numa altura em que a maior parte da Província pertencia à diocese de Braga. Inexplicavelmente passou quase em surdina esta elevação do arcebispo mais conhecido de sempre em terras de Barroso.
Decorreu por essa altura o Concílio de Trento que se prolongou por 20 anos (1545 a 1563), conduzindo à grande renovação da Igreja católica, na sequência da desistência protestante, a chamada Contra Reforma. Nesse concílio Frei Bartolomeu dos Mártires foi eleito como a figura maior do Concílio.
Em 1619 foi publicado o livro Vida e Obra de Frei Bartolomeu dos Mártires por Covas de Barroso e da autoria de Frei Luís de Sousa. Nessa obra descreve a passagem desse arcebispo por terras de Barroso e cita o “quão inóspita era essa região naquela altura e o quanto estaria afastada da Cristandade. De facto, segundo reza a história, nunca antes um arcebispo aí se havia deslocado”.
Recordo-me do meu professor de literatura, Vice-reitor do seminário de Vila Real, Serafim de Oliveira, natural de Viveiro, Covas de Barroso que privilegiava este Arcebispo e Camilo Castelo Branco: aquele por ser ele que no concílio de Trento apelava à autorização do casamento dos padres, “saltem barrosani” (pelo menos os Barrosões); Camilo pelo facto de ser de Friúme, (Ribeira de Pena) a primeira namorada das muitas que teve, antes “do Amor de Perdição”.
Noutra passagem, mas no mesmo contexto da dureza dos campos, da fome e do frio, lê-se que “Andava já o arcebispo no mais trabalhoso da serra; e passava um dia em Covas de Barroso para onde chamam as Alturas ou o Salto; era o caminho da vereda muita estreita e encosta arriba por uma serra íngreme e altíssima”
São as Alturas de Barroso que o novo Santo proteja e a quem lá nasça, por lá passe ou lá queira viver. Mas sem o flagelo do lítio que “Galamba” de lá pretende obter.






