Quinta-feira, 25 de Junho de 2026
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Abílio Guerra Junqueiro (3)

Tudo começou em 1864, tinha o escritor 14 anos, quando publicou o seu primeiro trabalho, na Imprensa da Universidade, a que chamou “Duas Páginas dos 14 anos”, dedicado ao seu primo Manuel Guerra Tenreiro Junqueiro, em testemunho de eterna amizade e que dizia assim: “Meu caro Manuel, talvez julgasses encontrar aqui uma longa carta em linguagem empolada, falando-te de muita cousa bonita, mas de que tu nada entendesses; pois estás completamente enganado.

Dir-te-ei somente que, escrevendo estas poucas linhas, nada mais intentei, que dar-te uma prova, ainda que débil, da minha sincera amizade. Teu do coração, Abílio Guerra Junqueiro”.

Nesse ano publicou também cinco poesias dedicadas à mãe, aos manos, à morte da prima Ernestina, à morte do amigo Mello e a um amigo. Ainda publicou mais duas a que deu o nome de “Não chores” e “Houve tempo”.

De todas, destaco a que dedicou à sua mãe: “Quem me dera voar aonde agora Me leva o pensamento!; Iria aos braços teus buscar alivio; À dor que me devora!; Iria junto a ti viver feliz; Como vivera outrora!”.

Em 1867, publicou Vozes sem Echo. Seguem-se os livros que foram saindo a saber: Batismo de Amor, A Vitória da França, A Musa em Férias, Finis Patriae, Os Simples, Pátria, Oração ao Pão, Oração à Luz, Poesias Dispersas, O Crime, este a propósito do assassinato do Alferes Brito, O Caminho do Céu, Horas de Combate e Prometeu Libertado.

-PUB-

O livro que lhe deu maior notoriedade foi publicado em 1885 e chamou-se “A Velhice do Padre Eterno” e era um conjunto de sátiras contra os dogmas e os ritos do catolicismo. Era para ser publicado antes, pois já estaria quase concluído em 1879, mas uma doença do escritor impediu-o de o concluir o que implicou que a publicação se atrasasse.

Uma das suas poesias que mais aceitação teve pelos leitores portugueses foi “A Lágrima”.

Em 1912 aquando do incêndio no Teatro Baquet, no Porto, situado perto da Estação de São Bento, foi feita uma edição especial ilustrada desta poesia, tendo as receitas da sua venda, revertido a favor das famílias das pessoas que então faleceram. Também publicou os romances Prosas Dispersas, em 1921. Após a sua morte, em 1924, foi publicado, Horas de Combate onde foram reunidos os seus discursos políticos.

Depois de uma vida dedicada à escrita e nas horas vagas à agricultura, faleceu em Lisboa no dia 7 de julho de 1923.

Teve funerais de Estado e toda a imprensa da época se referiu à sua morte, classificando-a como “perda nacional”.

Em 1966, o seu corpo foi solenemente trasladado para o Panteão Nacional, a partir da Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, numa cerimónia ocorrida para homenagear também outras ilustres figuras portuguesas entre os dias 1 e 5 de dezembro. Antes disso, encontrava-se no Mosteiro dos Jerónimos.

Sem dúvida que foi um homem por quem todos os portugueses se sentirão orgulhos. Deixo como última nota, o facto de ele ter escrito, pelo menos num dos seus livros, Provas Dispersas, que “hoje já não escreveria esse livro pois fiz muito mal à igreja”.

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