A contrariedade do movimento não reside na sua ideologia, mas sim no modus operandi radicalista que empregam nas condutas que protagonizam.
O cerne da propaganda ativa assenta na promoção de mudanças positivas na sociedade e a forma como se exerce em muito se relaciona com o seu sucesso ou, in casu, inexistência deste.
O pintar de verde dois ministros, o partir de montras e o interromper de trânsito, nada trará de proveitoso à agenda climática e apenas impulsionará o já mencionado grupo para cinco minutos de uma fama que brevemente se desvanecerá.
Sem querer duvidar da boa intenção dos fomentadores do radicalismo ativista e consciente da emergência climática, carece analisar a contribuição dos desproporcionados comportamentos para com a causa.
Remontando ao ataque direcionado a Duarte Cordeiro importa, já com algum lapso temporal decorrido, aferir que consequências resultaram de tal investida.
No que respeita ao Ministro, creio que terá atingindo o seu apogeu de popularidade e estabelecido em torno da sua imagem uma ideia de sensatez e profissionalismo. Por outro lado, os excitados e descontrolados gritos e arremessos, despoletam total ausência de credibilidade.
A forma como resistem às autoridades e as frases que entoam no decorrer dos seus ataques, transmitem, a quem visualiza, uma representação de birra e mimo, que se caracteriza num péssimo serviço à causa ambiental.
O ativismo é parte fulcral da sociedade democrática e deve-se manifestar, podendo ser feito de amplas formas. No entanto, neste, na política e na vida, mostra-se necessário saber-se estar, com propriedade, solução e postura.
Estes comportamentos nunca se irão traduzir num vantajoso desenlace para a causa, que será prejudicada quando associada aos agentes que a disseminam, tendo tal de ser assimilado por quem assim age, que muito bem pode apoiar e acompanhar os seis jovens portugueses que bateram o pé no TEDH.
Os imediatamente supra referidos lideraram o primeiro processo relacionado com as alterações climáticas a ser apresentado no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, colocando em devido sentido 32 países – nos quais se inclui Portugal – com a alegação da violação dos direitos humanos, justificada na insuficiência de medidas em matéria de ações climáticas.
Desta feita, os nossos proativos jovens, requerem pelo tomar de medidas com carácter mais ambicioso, exigindo, por sua vez, diante dos 32 estados, uma redução de 65% das emissões poluentes até ao ano de 2030.
Enquanto de jeito positivo não procederem os que por cá andam à caça de ministros, que peguem num livro para colorir e nuns lápis de cor, ou se sentem um pouco a ver os Morangos e não desperdicem o tempo, nem retirem o foco de quem, realmente, tem um papel preponderante na luta pelo clima.



