Terça-feira, 21 de Maio de 2024
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real

Conta-nos como era…

O Fórum Cidadania: Pela Erradicação da Pobreza de Vila Real e o Centro de Estudos Transdisciplinares de Desenvolvimento (CETRAD-UTAD) está a organizar o Seminário “Pobreza e Território”, integrado no 50º aniversário do 25 de Abril.

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Atribuiu a um painel o título deste Visto. Pretende-se partilhar saberes, experiências, memórias do que era, em paralelo com o que é hoje a nossa vida. Afinal, como bem perguntou Miguel Esteves Cardoso no Público: «passado meio século, estamos melhor do que estávamos, pior do que estávamos ou, deprimentemente, mais ou menos na mesma?” Pretende-se avaliar isso mesmo, em ambiente de mesa-redonda, assim, na singeleza do “conta-nos como era…”.

Pois, há dias, em conversa entre tês septuagenários, testemunhei alguns aspetos do “como era”. A singeleza de uma conversa chã, sem pretensiosismos, lembrando simplesmente tempos da sua meninice, numa das aldeias do Douro onde, então, havia vinho, mas sem o benefício do vinho de benefício que ia todo para outras paragens que não aquela onde viviam aquelas três crianças. E recordava um: “ainda te lembras como íamos para a escola? Ou como jogávamos ao tiroliro? Descalços, ou, de socos, mas só nas famílias em que se vivia um pouco melhor.” “Olha, olha!” atalhou o outro. “Quando fui fazer o exame da quarta classe, levei os socos na mão até a Alijó, calcei-os à entrada na vila e descalcei-os, de novo, quando regressei.” Ao que o terceiro membro do grupo acrescentou: “e na escola, as casas de banho eram só para as professoras. Agora, temos cá uma ETAR inteligente!” “Isto para não falar de que, feita a quarta classe, era cavar. Muito poucos podiam continuar a estudar! Quando muito, o seminário”, lembrou o primeiro. “É, por isso, que devemos agradecer aos que fizeram o 25 de Abril, mesmo eu que nessa altura já estava em Moçambique, onde vivia um bocadito melhor”, acrescentou outro dos interlocutores.

Na constatação de MEC, “estamos muito melhor do que estávamos». E gratos a quem ousou provocar a mudança, fazendo cair o Estado Novo, incapaz de desenvolver o país e de compreender os tempos novos que perpassavam na Europa e no Mundo. Aos capitães de Abril, desde logo. Mas também aos que lutaram, muitas vezes, na clandestinidade, contra o regime de então, como Mário Soares e Álvaro Cunhal; aos que lutaram com as canções, como Zeca Afonso, José Mário Branco, Fanhais ou Sérgio Godinho; também aos que acreditaram poder transformar o regime por dentro, como Miller Guerra e Sá Carneiro, entre outros. Todos merecem o nosso obrigado.

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