Quarta-feira, 22 de Abril de 2026
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Genealogia (IV)

Os Assentos de batismo têm, por vezes, algumas particularidades que temos que ter em conta.

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Apesar de, por norma, o assento ser feito nos termos seguintes: Manuel, nasceu no dia 30 de janeiro de 1950 e foi batizado no dia 15 de fevereiro, por vezes, este é feito nestes termos: Manuel sendo de quinze dias foi batizado no dia 15 de fevereiro.

A grande maioria dos batismos eram de filhos legítimos. Quando o batizando não era legítimo dizia-se que era filho natural ou filho de pai incógnito. Ainda que em número muito reduzido, aparecem assentos de batismo com filhos de mãe incógnita. Neste caso, a família do pai aceitava a criança, mas não queria que se soubesse quem era a mãe.

O uso de abreviaturas também era muito habitual. Aqui estão algumas: 7bro ou 7.bro, era setembro; 8bro ou 8.bro, era outubro; 9bro ou 9.bro, era novembro e 10bro ou 10.bro, era dezembro.

Outras: Dez.or, Desembargador, R.do, Reverendo; B.eu, Bartolomeu, D.es, Domingues; V.e, Vicente.

Há ainda os Assentos de crianças que foram abandonadas. Quando isso acontecia, as crianças eram colocadas à porta de pessoas que as encontravam pela manhã ao levantar e sair de casa. Outras vezes eram colocadas na roda dos enjeitados, em orfanatos ou outras instituições vocacionadas para as receber. Essas crianças eram conhecidas como Expostas.

Nestes casos também os assentos eram diferentes se a criança era de origem humilde ou de origem nobre. Apresento dois assentos que espelham isso: Florência criança exposta e enjeitada que aqui apareceu à porta de Maria Alice (nomes fictícios), viúva, na noite do dia 20 de mês de outubro, por não trazer escrito nem nada que mostrasse clareza de que já tinha sido batizada, foi batizada na igreja de Mazouco.

Outro assento diz o seguinte: Dona Francisca (fictício), enjeitada, filha de pais nobres e sangue limpo, foi batizada pelo seu pároco aos 24 de maio de 1696 e foi mandada entregar a alguém que iria nessa noite a casa do Pároco, que diz o seguinte no assento: à meia noite, estando bem escuro, bateram à janela do quarto onde dormia e pediram-me para lançar uma cesta com uma corda. Sem eu ver nem falar com pessoa alguma, meteram a criança na cesta e puxando pela corda trouxe-a para o quarto e lancei-a na cama até a entregar à ama que lá a iria recolher no dia seguinte para a levar para o Convento, onde seria criada.

Em algumas épocas e algumas localidades havia muitas crianças expostas. Por exemplo em Mirandela, os Assentos de Batismo constantes do livro de Batismos de 1810-1850 do Arquivo Distrital de Bragança, são todos de crianças nessas condições. São mais de cem assentos. Sem dúvida que evidencia um certo desprezo pela sua vida. As causas para isso acontecer não sei quais seriam.

Também o número de filhos de pai incógnito atingia, muitas vezes, proporções bastante grandes. Por vezes os filhos nascidos antes do casamento eram perfilhados nesse dia.

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