Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Na cauda da Europa

Começa a ser vulgar, esta apreciação que se faz acerca do nosso país, no seu posicionamento, relativamente a determinados indicadores do nosso desenvolvimento socioeconómico.

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É claro que uma coisa são os indicadores e outra é o sentimento que os cidadãos têm sobre a sua forma de viver, as suas dificuldades socioeconómicas, o seu sentimento de bem-estar e as perspetivas que a população, principalmente a mais jovem, tem relativamente ao seu futuro.

Este tema esteve particularmente em evidência, neste processo eleitoral em que o maior partido da oposição se envolveu no passado fim de semana, havendo duas linhas bem claras de posicionamento acerca da governação que vem sendo seguida pelo atual governo, cujo desempenho justifica o título desta crónica – um desempenho que, em seis anos, nos empurrou de facto, para a cauda da Europa. Seja porque a pandemia COVID-19 afetou gravemente toda a economia, seja porque os parceiros da governação, “a Geringonça”, acreditaram que quanto mais Estado na economia, maiores benefícios sociais para a população.

Nos processos democráticos, as maiorias têm, em princípio, a razão do seu lado. Pelo que não seremos nós a questionar a bondade dos resultados desta pugna eleitoral.
Permita-se-nos, porém, aspirar a que aproximando-se agora um ato eleitoral de maior importância para o futuro do país, as Legislativas de 30 de janeiro, se aproveitem estes parcos dois meses que nos separam deste ato eleitoral, para um cabal esclarecimento das propostas que nos vão ser apresentadas, para sairmos, de facto, da cauda da Europa, em termos de desenvolvimento económico e social.

Tanto quanto podemos concluir da pugna em que se envolveram os candidatos do maior partido da oposição, fica agora uma via aberta para o entendimento com quem nos tem governado, com os resultados que estão à vista, sobretudo do ponto de vista económico e social. E o que se pode pedir aos eleitores é que na hora de escolher, tenham presente, quem é que está em melhores condições, para nos retirar este depreciativo atributo. Não porque o título em si nos minimize, mas pelas consequências que do ponto de vista social ele encerra para a população em geral e para cada um de nós em particular. Um país que deu novos mundos ao mundo e que nos séculos XIV e XV foi de facto um farol, não é mais aceitável que se resigne a esta condição de menoridade.

O que se exige nestes próximos dois meses é que estejamos atentos às propostas de quem se apresenta a sufrágio. Porque estes, decidirão depois, em função dos apoios que receberem.

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