Segunda-feira, 23 de Maio de 2022
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

“O vosso povo sabe o que estamos a sentir”

A poucos dias de celebrar Abril, mesmo que alguns persistam em tentar denegrir momento tão importante da nossa História, um Presidente de um outro país, a Ucrânia, lembrou-nos como “a Revolução dos Cravos nos libertou da ditadura”.

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Todo o povo saberá? Talvez, nem todo. Mas a sua maioria ainda sabe bem o valor da Liberdade que os militares, os capitães de Abril, reconquistaram para os portugueses. Para todos, mesmo para os que não sabem, talvez nunca venham a saber, valorizar tão importante momento.

Os ucranianos sabem bem o que é a guerra. Os de hoje, os de 2014, os de 1939-45. Alguns que viveram a guerra mais distante, assim como as mais recentes, têm testemunhado o seu profundo sentir. Destroçados perante um invasor, um país vizinho, a que alguns chamavam “a mãe Rússia”. Mas que mãe!… A destruição a que têm sido sujeitos, os vexames por que têm passado homens e mulheres, crianças e mais velhos, atacados em suas casas, espoliados dos seus bens, escondidos em subterrâneos, nos corredores do metro, em caves de teatros, enfim, expostos a todos os perigos em hospitais a que tinham recorrido para curar as feridas ou em lares e escolas, que são, deviam ser, espaços de paz ou de aprendizagem da tolerância e da convivência entre povos. Volodímir Zelenski lembrou-nos tudo isso no discurso que proferiu perante o Parlamento, o Governo e o Presidente da República Portuguesa. E muito mais. Pediu que ajudássemos aquele povo a lutar pela sua terra, pela liberdade, pelo seu próprio caminho em busca do desenvolvimento e do bem-estar. Que merecem como qualquer outro povo, nomeadamente, o povo europeu, que também é. Pediu apoio para que a União Europeia receba o seu país no espaço de desenvolvimento, de prosperidade, de paz em que, progressivamente, se transformaram as comunidades europeias, criadas após o conflito mundial de 39-45. Pediu armas para poder alcançar a paz, que o invasor destruiu.

Num tempo de acompanhamento ao minuto das guerras que a cobiça, o sentimento de superioridade, o desejo de domínio, mesmo que à custa de esmagar o povo vizinho, os novos imperialistas provocam, a luta do povo da Ucrânia merece todo o respeito e apoio. “Encontrar-nos-ão, os invasores, a olhar para eles”, afirmou logo no início do conflito este Presidente que se nos dirigiu. Também por isso, o povo ucraniano mostra muito bem que a sua luta, como afirmou o Presidente da Assembleia da República, “é a luta da Europa toda pela liberdade”.

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