Domingo, 3 de Maio de 2026
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Percurso profissional (10)

Se alguém me perguntasse se aceitaria ser candidato à Câmara Municipal de Mogadouro, concelho a que pertence a aldeia de Remondes, terra que me viu nascer, diria provavelmente que não.

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Mas a vida prega-nos muitas vezes rasteiras às quais não somos capazes de responder não, embora o devêssemos fazer.

Estava eu em minha casa a recuperar de um acidente que tive com a minha scooter em Bermillo, Zamora, Espanha, quando me aparecem dois jovens, meus amigos, mogadourenses como eu, a lançar-me o desafio de ser candidato à câmara da minha terra. Ponderadas as palavras que me dirigiram resolvi aceitar. Em consequência do acidente estive sete dias num dos hospitais de Zamora, três dos quais nos cuidados intensivos, o que dá uma ideia da gravidade do acidente. A minha resposta à solicitação que me fizeram, deve ter sido “condicionada” pela fragilidade emocional, consequência do meu estado de saúde.

Como é meu timbre, depois de aceitar comecei a pensar naquilo que poderia fazer pela minha terra. Falei com pessoas que já tinham dado provas na área de governo de uma autarquia, fiz o meu diagnóstico ao que me pareceu ser bom para Mogadouro e, com a equipa que me acompanhou, elaborámos um programa que me pareceu ser o melhor para apresentar aos mogadourenses.

Os pilares que sustentaram a minha candidatura foram: competência, dedicação e seriedade, entre outros.

Dediquei-me de alma e coração a este desafio, que era novo para mim já que pouco ou nada sabia sobre o modus operandi da política autárquica, neste caso. No entanto, o povo decidiu que a candidatura que eu liderava não deveria ser quem governasse o nosso concelho no mandato de quatro anos que se seguia.

Aceitei essa decisão e prometi que cumpriria o mandato como vereador da oposição. Assim foi. As minhas intervenções foram sempre muito incisivas, sempre sobre temas que eram importantes para a nossa terra e tiveram sempre como denominador comum, ter muito cuidado com as palavras que usava para não ofender ninguém. Muitas vezes, durante as reuniões, trocava palavras mais fortes, por outras mais suaves.

No final de meu mandato, penso poder dizer que estou com a minha consciência tranquila porque sempre considerei os membros do executivo como parceiros com o mesmo objetivo que o meu, que era fazer o bem pela nossa terra.

As minhas intervenções foram sempre escritas. Porquê? Porque o que se escreve perdura no tempo e concede a quem as faz mais responsabilidade, porque o que se escreve é sempre mais pensado do que o que se fala.

Sempre me dirigi com respeito e educação a todo o executivo.Como apontamento final direi que os quatro anos de vereador da oposição, foram muito importantes para mim pois permitiram-me conhecer melhor e por dentro, o mundo autárquico. Foi por isso que escrevi este texto e o coloquei no meu percurso profissional.

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