Terça-feira, 26 de Outubro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Subsídios para a história do Monumento aos Combatentes (V)

Na edição 73 do trimensário A Voz do Combatente, referente a janeiro/março de 2002, confirmava-se no editorial chamado «nascemos há 20 anos».

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A edição deste Jornal assinala os 20 anos do nascimento da Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar. Parece pouco tempo, mas para, quem desde o dia 18 de março de 1982, teve que, dia a dia, preocupar-se com tudo o que de bom e de mau aconteceu, é muito tempo. O autor desta nota de congratulação, numa viagem de fim-de-semana ao seu pátrio Barroso, ouviu uma entrevista radiofónica a um capitão de abril que, como sempre foi hábito nele e seus pares, minimizava o papel dos milicianos e soldados em geral, na guerra do Ultramar. Falava, arrogantemente, em nome da Associação que tem o nome do dia revolucionário. Toda a gente sabe que o 25 de Abril se deu, não para salvar o povo, como eles e muitos fazem crer, mas por discordarem de que os milicianos, eventualmente, metessem o “Xico”, tirando oportunidade aos capitães do quadro permanente. Tinha, por essa altura, saído legislação no sentido de dar oportunidade aos oficiais milicianos que regressavam e queriam continuar na tropa, a possibilidade de o fazerem, para o que teriam que submeter-se a algumas regras.

Ora os capitães do quadro, viram nisso, um perigo à sua progressão na carreira. E movimentaram-se a nível nacional, a ponto de levarem a cabo o golpe militar que por sinal, veio ao encontro daquilo que se esperava e que – mais cedo ou mais tarde – teria que dar-se, já que o processo ultramarino a ninguém agradava. Quando muito agradaria a alguns militares de carreira que somavam comissões, medalhas e proveitos, em parte, à sombra dos tais milicianos e soldados em geral.

Nessa entrevista radiofónica se concentravam o ódio, a inveja, o cinismo contra quem – afinal – era burro de carga na guerra do Ultramar. Irritou-nos de tal modo essa entrevista que, mal regressámos a Guimarães, batemos à porta de meia dúzia de ex-Combatentes e lhes colocámos o desafio: criar uma associação de Combatentes, em geral, que dessem resposta a esse tipo de afrontas.  

 Logo tentámos uma sede e meios logísticos para corporizar esse projeto. Consubstanciámos esse sonho no Monumento ao Combatente. É essa a nossa joia da Coroa, partilhada por mais sete associações. Mas a ideia pertence-nos.

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