Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Um Natal Cristão

A União Europeia, através da sua Comissão para uma Comunicação Inclusiva, apresentou em 26 de outubro um documento interno com diretrizes alegadamente voltadas para promover a igualdade, um guia para uma comunicação inclusiva mais adequada, onde se recomendava aos funcionários da Comissão Europeia que evitassem usar a palavra “Natal”, já que nem todas as pessoas são cristãs.

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Em nome da igualdade e da inclusão, é preferível chamar-se ao tempo do Natal um “Período de festividades”. Entretanto, após algumas críticas e observações, o guia já foi retirado, regressou às boxes, para ser melhor trabalhado e pensado.

O Vaticano reagiu pela voz do Cardeal Secretário de Estado da Santa Sé, D. Pietro Parolin, que salientou que é importante que se combatam as discriminações, mas chamou a atenção que a inclusão se deve fazer de forma positiva, na integração e respeito pelas justas diferenças, e não de forma negativa, escondendo-se as diferenças, e que se devem respeitar as raízes históricas e identitárias, sob pena de se destruir a própria pessoa humana.

O Cristianismo deu um contributo indelével à identidade e à formação da Europa, que jamais se poderá esquecer e apagar. Dificilmente a Europa se poderá compreender e encontrar a si mesma sem as suas raízes cristãs. Isto não significa reclamar uma supremacia ou privilégios, ou até impor uma ditadura cultural, mas respeito pela história e pela verdade.

Levantaram-se algumas vozes sonoras contra esta tentativa de cancelar o Natal ou de o esvaziar do seu verdadeiro sentido. Mas o cancelamento do Natal já está a acontecer há muito tempo.

Veja-se o Natal que celebramos atualmente, em clara contradição com a mensagem e o espírito do Evangelho. Está reduzido a um comércio louco, um festim de consumismo desnecessário, uma festarola com diversão fútil, uma comezaina familiar, um cumprir de enfeites e tradições sem alma e sem vivência interior, desligado de Deus. E como temos tanto a aprender com o Natal, que é um apelo à simplicidade, num tempo em que se vive muito só para impressionar e aparecer; à humildade, num tempo de soberba e jactância pessoal; respeito pela dignidade humana, num tempo onde se vê o descarte abominável de pessoas; à solidariedade e à compaixão, neste tempo de indiferença e apatia; ao amor, num tempo de individualismo patológico e libertinagem; à fraternidade e à comunhão, num tempo de violência e rivalidade fria; à paz, num tempo de tensões e guerras que roubam estupidamente muitas vidas.

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