Quarta-feira, 24 de Abril de 2024
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Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A falta de mão de obra especializada e as suas causas

Desde há uns tempos a esta parte que se tem vindo a acentuar a falta de mão de obra especializada no setor da construção civil, nomeadamente, em profissões como canalizadores, eletricistas, serralheiros, carpinteiros, etc., cuja importância é fundamental para o regular funcionamento deste importante setor da economia nacional.

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Há vários anos que nos temos vindo a confrontar com o definhamento de certas profissões, mais ligadas ao artesanato e que nos eram tão familiares, como, por exemplo, soqueiros, cesteiros, picheleiros, oleiros e outras que, apesar de ainda persistirem, aqui e ali, algumas delas, mais por carolice dos artesãos, não há dúvida nenhuma que caminham a passos largos para o seu desaparecimento. Se, neste caso, a razão fundamental, para este inevitável desfecho, se deve à desertificação do mundo rural e à mecanização da atividade agrícola nas suas várias vertentes, relativamente ao outro a sua origem radica, fundamentalmente, na extinção das antigas escolas industriais e comerciais, por via da sua integração, no pós-25 de Abril, no chamado ensino unificado. Somos um país «sui generis», no que diz respeito às diversas reformas levadas a cabo, nos vários graus de ensino. As quais, ao não salvaguardarem as possibilidades de formação de operários especializados e de quadros médios para responderem às necessidades do país – privilegiando a via de um ensino teórico, em detrimento de um ensino profissionalizante – muito contribuíram para o resultado em que, infelizmente, nos encontramos atualmente.

Outro caso paradigmático que se nos apresenta, como reflexo negativo das tais reformas educativas, está acontecendo com os institutos politécnicos. Criados para preencher uma lacuna que se verificava no ensino médio, formando diplomados com o grau de bacharel, com predominância curricular da componente prática, deixando, contudo, a possibilidade, para quem quisesse prosseguir a sua formação académica, de a poder fazer nas universidades, acabaram por ver essa característica, que esteve na base da sua criação, ser desvirtuada ao permitir-se a lecionação de licenciaturas e mestrados, com a perspetiva de, futuramente, fazerem, também, doutoramentos, já reivindicados, aliás, por alguns responsáveis académicos desses estabelecimentos de ensino, tal como acontece nas universidades. Está bom de ver, que estas alterações desvirtuam o conceito inicial que esteve na base da estruturação do ensino superior politécnico.

Assim sendo, não faz qualquer sentido estes dois ramos de ensino funcionarem separadamente. Seria de maior utilidade para o país, a sua integração no ensino superior universitário, evitando-se, assim, uma concorrência sem sentido e a duplicação de meios e redundâncias, que esta situação naturalmente acarreta.

Enfim, é este o País que temos.

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